Para Gabriel Caldas e Tiago Soares.
Já faz algum tempo que venho pensando em mudar. Mudar meu jeito de ser. Mudar de trabalho, ares, cidade, país. Mudar minha maneira de pensar. Perdoar quem merece. Apagar da agenda alguns nomes, esquecer outros sobrenomes. Aceitar no fecebook só os pedidos de quem eu não conheço. To pensando em começar a pensar como meu pai, mais cartesiano, sorrir mais pra mim do que para os outros. Acho que vou aproveitar pra mudar meu guarda-roupas também, tenho muita roupa bege, caqui, verde musgo, preto e branco, ta faltando cor. Quero mudar o meu perfume, meu corte de cabelo, os móveis da sala. Se eu pudesse mudaria a vista da minha varanda, tirava o aterro do Flamengo e colocava a Floresta da Tijuca ou os Arcos da Lapa, pois de casa eu já mudei. Porque mudar faz tanta diferença quando achamos que algo vai mal?
Uma mudança ou transformação significa uma alteração de um estado, modelo ou situação anterior, para um estado, modelo ou situação futuros, por razões inesperadas e incontroláveis, ou por razões planejadas e premeditadas. Mudar envolve, necessariamente, capacidade de compreensão e adoção de práticas que concretizem o desejo de transformação. Isto é, para que a mudança aconteça, as pessoas precisam estar sensibilizadas por ela. Perceber a dinâmica das mudanças é uma necessidade. Viver atualizado é uma questão de sobrevivência e uma maneira de visualizar melhor o futuro, já que os novos tempos exigem uma nova postura de pensamento.
Existe um mundo que está acabando e outro que está começando e as pessoas (isso envolve eu e você), naturalmente, costumam lidar com isso de maneira defensiva, com temor ou rejeição, na maioria das vezes. Não adianta querer mudar tudo nos momentos que algo vai mal e depois de uma boa noite de sono reconsiderar. Para mudar é necessário uma overdose de insatisfação do estado do permanecer e do continuar. Acordar pela manhã imbuído de força de mudança. Usar todas as ferramentar em mãos para isso e buscar possibilidades de ter as outras que faltam. É importante saber que a maior motivação para mudar o que não te interessa mais está dentro de você e aceitar a condição que para qualquer escolha existe um preço a pagar. Dedicar horas amadurecendo as estratégias e se dedicar a elas como uma religião. Eu, sinceramente não conheço uma única pessoa que quisesse mudar de verdade e que não tenha obtido êxito. Se você mergulha no propósito, não tem como dar errado. Mesmo que você se arrependa no futuro e queira mudar tudo de novo.
Se você pudesse mudar alguma coisa agora, o que mudaria? Qual seria o impacto dessa mudança na sua vida? Quais os benefícios que tal mudança traria para a sua vida? E se essa mudança te afastasse das pessoas que você ama? Mesmo sendo uma pessoa esclarecida é impossivel não pensar nisso. O tempo que as coisas levam para acentar depois de uma transição é relativamente grande, mas depende de cada um. O tempo para tranformar o novo universo na mais branda zona de conforto pode demorar um pouco, mas é preciso ter muito cuidado porque nela residem dois inquilinos permanentes, a comodidade, que enterra alguns indivíduos e a insatisfação, que faz do céu o seu limite. Não adianta viver mudando se a mudança não está dentro de você, pode custar caro e não resolver nada.
Primeiro mude por dentro e deixe a mudança transbordar, em seguida tudo a sua volta mudará também. Ser feliz vai depender das suas escolhas.
Eu precisava mesmo falar sobre isso!!! (suspiro)
L.P.
Bem-vindo ao Cromossomo XY
Este blog não pretende ser correto, fonte de pesquisa ou referência para seus interessados. Ele foi pensado para que outros homens e mulheres entendam melhor como nós (homens) podemos ser românticos, chatos e invariavelmente humanos. O que pensamos das artes, das coisas que não entendemos e principalmente de nós mesmos. Neste blog há espaço para homens de todas as idades, raças, classes sociais e orientação sexual. É feito de pensamentos livres, sem dogmas culturais ou religiosos.
Seja bem-vindo ao Cromossomo XY.
sexta-feira, 8 de julho de 2011
sábado, 25 de junho de 2011
Justiça, Gratidão e Humildade.
Para Vinícius Duarte e Marcia Catita Evangelista.
(Este texto não é uma discussão política, mas uma ode ao bom senso).
(Este texto não é uma discussão política, mas uma ode ao bom senso).
Sabe quando você termina uma leitura, um filme ou uma refeição e fica doido pra ter alguém do lado para falar da experiência? Pois é, na semana passada vivi algo parecido depois de ler uma matéria curta e muito feliz na Veja sobre a aproximação de Dilma Rousseff e FHC. O governo da situação, através do ex-presidente Lula e seus lacaios, sempre abominaram a ideia de uma ação de desagravo e gratidão ao também ex-presidente FHC por sua contribuição por azeitar a máquina e colocar o Brasil nos trilhos. Lula quis que o povo brasileiro atribuísse tamanha bonança ao seu governo e que como Getúlio Vargas, seu nome fosse escrito com mérito na mesma constelação onde brilha o cruzeiro do sul, mas isso é política demais e não merece ser discutido agora. O que mais me deixou satisfeito ao ler a matéria em que a presidente Dilma escreveu de próprio punho (?) uma carta a Fernando Henrique parabenizando-o pelos seus 80 anos foi o fato dela mencionar que todos sabiam e admitiam que qualquer decisão ou ação da estrela vermelha nos últimos anos foram baseadas nas determinações do mestre FHC. Diante da vaidade de Lula e da real rivalidade entre os partidos mais poderosos do Brasil, eu pensei que isso jamais aconteceria, mesmo para mim estando claro que um governo seguia a risca os caminhos do outro, para uma classe de Brasileiros beneficiados pelo populismo “lulesco” isso era impensável.
A justiça se fez, querendo Lula ou não, no momento em que a presidente diz que reconhece que Fernando Henrique foi, e ainda é, um “... político habilidoso, o ministro-arquiteto de um plano duradouro de saída da hiperinflação e o presidente que contribuiu decisivamente para a consolidação da estabilidade econômica...” no Brasil. A maneira gentil de agradecer a contribuição e passar por cima da grosseria arrastada anos após ano por Lula ante um acordo de cooperação em benefício da pátria me comoveu ao ponto de pensar que o simples reconhecimento faz com que prêmios ou bonificações sejam completamente desprezados diante dessa moeda emocional tão valiosa.
Justiça e gratidão dependem de um fator crucial para serem reconhecidos como sentimentos, o aditivo bom-senso – aliás, como quase tudo na vida. Ser justo implica em não tomar para si o que pertence a terceiro(s), nem negar a eles o que lhes é de direito ou devido, isso é muito mais que ser honesto ou ter caráter. Num país onde a cultura política acoberta as falcatruas de uma minoria e o povo não tem voz firme o bastante para vencer anos de prostração e cabresto fica mais difícil pensar em justiça como substantivo. Não me refiro à justiça jurídica, mas aquela mais simples, que nasce nas pequenas atitudes dentro de casa, no trabalho, entre amigos e irmãos. Reconhecer as virtudes que faltam em nós e valorizá-las no outro, mesmo sem um único real em troca gera um bem imensurável e é mãe de outro sentimento conhecido por gratidão. Nossa presidente, em demonstração de grandeza política, dá um show de justiça numa atitude de esforço mínimo, mas de proporção psicológica extrema. Foi elegante em aproveitar a oportunidade do aniversário de FHC para prestar-lhe uma homenagem em carta aberta e discurso simples de gratidão rasgada por ser o mentor de tal mudança que gozamos hoje.
Justiça e gratidão dependem de um fator crucial para serem reconhecidos como sentimentos, o aditivo bom-senso – aliás, como quase tudo na vida. Ser justo implica em não tomar para si o que pertence a terceiro(s), nem negar a eles o que lhes é de direito ou devido, isso é muito mais que ser honesto ou ter caráter. Num país onde a cultura política acoberta as falcatruas de uma minoria e o povo não tem voz firme o bastante para vencer anos de prostração e cabresto fica mais difícil pensar em justiça como substantivo. Não me refiro à justiça jurídica, mas aquela mais simples, que nasce nas pequenas atitudes dentro de casa, no trabalho, entre amigos e irmãos. Reconhecer as virtudes que faltam em nós e valorizá-las no outro, mesmo sem um único real em troca gera um bem imensurável e é mãe de outro sentimento conhecido por gratidão. Nossa presidente, em demonstração de grandeza política, dá um show de justiça numa atitude de esforço mínimo, mas de proporção psicológica extrema. Foi elegante em aproveitar a oportunidade do aniversário de FHC para prestar-lhe uma homenagem em carta aberta e discurso simples de gratidão rasgada por ser o mentor de tal mudança que gozamos hoje.
A Gratidão, por sua vez, depende de humildade para perceber que sem as colaborações que nos ergue vida afora, qualquer passo em direção ao erro, seria derradeiro, mas temos oportunidades de aprender e fazer diferente, seja por interesse material ou por valorização do material humano. Um favor pode não custar nada ou custar uma vida quando negado. Um favor pode ser a porta de entrada para o sucesso ou para o fracasso, se estabelecer na posição é problema de cada um. Se o PT deu um tiro no pé por não ter outro candidato para o governo (Palocci estava sujo demais na ocasião, e se mantém) e elegeu uma mulher para o cargo de soberana do Brasil, ele acertou em substituir a vaselina de Lula pela sensibilidade e humildade de Dilma. Justiça seja feita, pode até existir uma legião por trás das decisões da mulher mais poderosa do mundo, mas seu bom senso é inato e se sobre sai as mancadas de quem erra tentando acertar.
Pratique a justiça e exagere no bom senso. Dormir num travesseiro livre de ácaros e culpa faz um bem danado à saúde. Nos vemos por ai!
L.P.
quarta-feira, 15 de junho de 2011
Solidão que nada!
Para Sidnei Santiago, Lidia e Paulinha Paiva.
A solidão é algo tão silencioso que as vezes chega de mancinho e se instala mesmo quando a companhia parece ser a melhor. Muita gente procura fazer parte de grupos ao qual nunca pertenceu e nunca pertencerá porque jamais haverá química entre os seus, ela é fundamental. Dividir ideais, opiniões e paixões faz com que as pessoas se unam e se completem e assim produzam muito mais movimento e coisas das quais se orgulharem e isso gerará ainda mais benefícios a esse grupo. O contrário disso é a reclusão. Você está onde não deveria, gastando uma energia vital fundamental e cada vez mais perto do exílio. Não adianta admirar se você não tem atributos que fundamentem a relação, e o resultado é a sensação de estar sozinho a dois ou num grupo.
O final de semana passou e com ele a ansiedade de que algo não seria bom em 12 de junho. As vezes esquecemos que ter amigos é a melhor coisa do mundo depois da família. É ter a deliciosa sensação de que tudo está devidamente apoiado e que nunca estamos sozinhos. E por falar em solidão, esse foi o tema da minha última postagem no C.XY, e pelo que tenho lido sobre o tema e de acordo com a psicanálise, esse é um dos maiores desafios da humanidade, pois não escolhe sexo e idade e devasta vidas mundo a fora.
Geralmente a solidão nunca vem sozinha. Está ligada a insegurança, a dificuldade de se socializar e (ou) a algum trauma vivido. É fato, e se não me engano já falei sobre isso aqui mesmo no blog, que nós não fomos programados geneticamente nem culturalmente para vivermos sozinhos, temos uma necessidade biológica de viver em grupo. Produzimos melhor quando trocamos com alguém, precisamos da aprovação dos parceiros quando fazemos algo novo, alguém que diga que algo está irretocável, bem feito ou bem dito, e mesmo que não esteja, até para aqueles difíceis de aceitar opinião, quando refazemos, nos saímos muito melhor.
Isso tem a ver com a insegurança e a auto-afirmação, mas muito mais com a aceitação do grupo (ou par), a admiração alheia e a sensação de pertencimento.
Quando disse acima que alguns fatores colaboram com esse sentimento aterrador, fiz por conhecimento de causa. Por algum tempo, mesmo cercado por uma família maravilhosa e amigos especiais, me senti muito sozinho por causa do fim de um relacionamento muito importante, todos sabiam o quanto havia sido ruim para mim, mas querendo ou não, aquele sentimento era a coisa mais importante e mais bonita que tinha me acontecido e a perda da pessoa amada me deixou com um volume de sentimentos que eu traduzia como amor e que agora não tinha pra quem doar, e mesmo se tivesse o formato não seria o mesmo e apodreceria dentro do peito de qualquer maneira. O vazio e a solidão me empurraram ladeira abaixo e tive que aprender a conviver, foi muito difícil, mas foi também uma escola. Eu estava cercado de pessoas e ao mesmo tempo sozinho, triste e vazio, nada era de fato importante ou incrível ao ponto de atrair minha atenção ou ter algum valor significativo. Nada me tirava da escuridão e do isolamento. O tempo passou e hoje parece que não aconteceu, a experiência existiu e deixou cicatrizes indeléveis na alma, mas foi como numa escola de agentes do BOPE. A experiência criou uma camada espessa na couraça que eu achei até que jamais me sensibilizaria novamente, mas ao invés disso, me ensinou a ser mais firme e valorizar cada coisa de maneira independente, trouxe mais sensibilidade, segurança e a garantia de uma vida melhor. Estabilizou-me emocionalmente (pelo menos eu me sinto assim!). Dessa lição, aprendi que existe a hora de ficar sozinho mesmo, de digerir o aprendizado e transformar todo e qualquer volume de sentimento apodrecido em amor próprio.
A solidão é algo tão silencioso que as vezes chega de mancinho e se instala mesmo quando a companhia parece ser a melhor. Muita gente procura fazer parte de grupos ao qual nunca pertenceu e nunca pertencerá porque jamais haverá química entre os seus, ela é fundamental. Dividir ideais, opiniões e paixões faz com que as pessoas se unam e se completem e assim produzam muito mais movimento e coisas das quais se orgulharem e isso gerará ainda mais benefícios a esse grupo. O contrário disso é a reclusão. Você está onde não deveria, gastando uma energia vital fundamental e cada vez mais perto do exílio. Não adianta admirar se você não tem atributos que fundamentem a relação, e o resultado é a sensação de estar sozinho a dois ou num grupo.
Cada vez mais pessoas procuram por psicoterapia e terapias de ocupação para afastarem a solidão, mas uma coisa que elas se esquecem de fazer é procurar saber de onde isso vem, se a causa não for depressão, ou como dizem doença da alma, é somente falta de adaptação ou de um propósito estabelecido. Quem nasceu para plantar flores não vai se adaptar ao um escritório de contabilidade, esse florista inato se sentirá insatisfeito, triste e recluso e o soldo disso tudo é a solidão. No entanto, esse monstro que a gente mesmo cria, não tem nada a ver com a falta de uma doutrina religiosa e convívio social, é fruto de uma mente adoecida ou, no meu caso, falta de diálogo interno. Santo Onofre, que tem seu dia comemorado também em dia 12 de junho, viveu 70 anos sozinho no deserto, mas nunca se sentiu só porque estava bem consigo mesmo, atribuía sua vida de ermitão a um propósito divino. Faltava lhe de tudo, da roupa a comida, mas não lhe faltava um propósito.
Voltando ao assunto, o dia dos namorados passou e não doeu, não doeu como doía antes e por mais que eu esperasse a dor e fizesse piadas com isso, ela não veio e me surpreendeu. Estive bem sozinho, sem franzir a testa, sem ter taquicardia ou mau humor porque estava bem comigo, com meus amigos e feliz com a minha família. Mesmo com o coração desocupado a casa estava limpa e perfumada com as velas acesas para quando o amor resolvesse voltar, e as únicas ferramentas que venho usando para a sua manutenção são o amor próprio, o auto-respeito e um pouquinho de maturidade.
Nos vemos por ai!
L.P.
segunda-feira, 6 de junho de 2011
Rio 37° C.
Para Glaucia Nunes.
Nem preciso dizer que as noites deste último final de semana foram as mais frias desse outono porque todo mundo percebeu. Era nítida a adesão nas ruas de casacos, cachecóis, botas e meias, aliás, muitas meias e casacos para segurar aquela brisa oportunista que adora uma fenda e um mínimo decote para soprar e arrepiar. Quanto mais fino o sopro, mas profundo o arrepio, quanto mais fina a roupa, mais nítido o efeito (risos).
Sábado a noite, eu e uns amigos fomos comemorar o aniversário de uma amiga no Devassa do Flamengo, e a noite chuvosa, também estava fresca demais para os padrões do Rio de Janeiro. Bebidas quentes, pratos fumegantes e roupas quentinhas desfilavam no bar de um lado para o outro. As mulheres, cheias de roupas e cores, só mostravam o nariz, era o único indício que existia vida sob tanto cabelo e pano. Os homens, que no geral suportam mais as baixas temperaturas, se arriscavam nas óbvias camisas de malha, mas perceberam que uma jaqueta tornaria a ocasião mais confortável. Os toldos abertos, translúcidos e molhados, refletiam a luz dos postes em cada gota de chuva que brilhavam como estrelas que, naquele momento, dormiam sob montanhas de cumulonimbus (google). Este era o cenário.
Depois de muitas conversas engraçadas, os grupos se dividiram para a próxima etapa da noite, muitos voltariam para o aconchego dos seus lares e outros continuariam a desbravar a noite fria até as primeiras horas da manhã. Eu estava no primeiro grupo e voltei pra casa também, mas uma coisa que me incomodou depois de muito tempo sem pensar a respeito foi o fato de eu estar voltando para casa sozinho.
Sábado a noite e cama não combinam. Não é lugar de homem solteiro, aliás, não é lugar para ninguém com mais de 21 anos ficar sozinho, a não ser que esteja doente, com dor de dente, "flatulente" ou indigente (lê-se muito pobre), o que não é o caso de muito solteiro(a) profissional que eu conheço.
Ficar sozinho no Rio de Janeiro pode significar, entre outras coisas, que o verão ainda não acabou e a conjugação dos verbos RELACIONAR e NAMORAR, só começa na alta temporada outono/inverno. Agora é a hora do povo sumir, juntar-se aos aconchegantes 37º C. de outra pessoa, assumir um romance e brincar de casinha. Festas, nightclubs e noitadas podem ser incríveis, mas de vez em quando abdicar disso em função de uma boa companhia e um bom vinho em casa, também pode ser muito prazeroso.
Assistir tevê, dormir de mochilinha e todas aquelas coisinhas de quando namoramos é confortável, saudável e faz um bem danado para a cabeça. É tão saudável que uma pesquisa americana (tinha que ser) revelou que relacionamentos sérios proporcionam a mesma estabilidade emocional de quem ganha R$170.000,00 por ano, ou seja, a mesma felicidade de um salário de R$14.000,00 por mês pode estar te esperado de pernas cruzadas no Cafeína, na fila do cinema, fazendo compras no Extra ou no Baile Charme sob o viaduto de Madureira. Tem gente de todo tipo e para todos os gostos esperando o cupido com a bunda na janela.
Já repararam que a maioria dos casais fazem aniversário de namoro entre abril e setembro? Alguém tem dúvida de porquê se comemora o dia dos namorados em Junho? O frio dá uma força para que os relacionamentos aconteçam, mesmo sendo inerente ao homem buscar por uma companhia, no inverno o instinto toma conta, força a barra mesmo. É uma ajuda da natureza diante da resistência de alguns grupos. Tá todo mundo querendo emagrecer, alisando o cabelo e modernizando os jeans para não ficar para 2012, porque se você ainda não foi convidado para jantar no próximo final de semana, muito provavelmente não será e é melhor pensar em alguma coisa para fazer, caso contrário, um bom livro, Homeopax e cama.
...continua na próxima semana, 13/06.
L.P.
Nem preciso dizer que as noites deste último final de semana foram as mais frias desse outono porque todo mundo percebeu. Era nítida a adesão nas ruas de casacos, cachecóis, botas e meias, aliás, muitas meias e casacos para segurar aquela brisa oportunista que adora uma fenda e um mínimo decote para soprar e arrepiar. Quanto mais fino o sopro, mas profundo o arrepio, quanto mais fina a roupa, mais nítido o efeito (risos).
Sábado a noite, eu e uns amigos fomos comemorar o aniversário de uma amiga no Devassa do Flamengo, e a noite chuvosa, também estava fresca demais para os padrões do Rio de Janeiro. Bebidas quentes, pratos fumegantes e roupas quentinhas desfilavam no bar de um lado para o outro. As mulheres, cheias de roupas e cores, só mostravam o nariz, era o único indício que existia vida sob tanto cabelo e pano. Os homens, que no geral suportam mais as baixas temperaturas, se arriscavam nas óbvias camisas de malha, mas perceberam que uma jaqueta tornaria a ocasião mais confortável. Os toldos abertos, translúcidos e molhados, refletiam a luz dos postes em cada gota de chuva que brilhavam como estrelas que, naquele momento, dormiam sob montanhas de cumulonimbus (google). Este era o cenário.
Depois de muitas conversas engraçadas, os grupos se dividiram para a próxima etapa da noite, muitos voltariam para o aconchego dos seus lares e outros continuariam a desbravar a noite fria até as primeiras horas da manhã. Eu estava no primeiro grupo e voltei pra casa também, mas uma coisa que me incomodou depois de muito tempo sem pensar a respeito foi o fato de eu estar voltando para casa sozinho.
Sábado a noite e cama não combinam. Não é lugar de homem solteiro, aliás, não é lugar para ninguém com mais de 21 anos ficar sozinho, a não ser que esteja doente, com dor de dente, "flatulente" ou indigente (lê-se muito pobre), o que não é o caso de muito solteiro(a) profissional que eu conheço.
Ficar sozinho no Rio de Janeiro pode significar, entre outras coisas, que o verão ainda não acabou e a conjugação dos verbos RELACIONAR e NAMORAR, só começa na alta temporada outono/inverno. Agora é a hora do povo sumir, juntar-se aos aconchegantes 37º C. de outra pessoa, assumir um romance e brincar de casinha. Festas, nightclubs e noitadas podem ser incríveis, mas de vez em quando abdicar disso em função de uma boa companhia e um bom vinho em casa, também pode ser muito prazeroso.
Assistir tevê, dormir de mochilinha e todas aquelas coisinhas de quando namoramos é confortável, saudável e faz um bem danado para a cabeça. É tão saudável que uma pesquisa americana (tinha que ser) revelou que relacionamentos sérios proporcionam a mesma estabilidade emocional de quem ganha R$170.000,00 por ano, ou seja, a mesma felicidade de um salário de R$14.000,00 por mês pode estar te esperado de pernas cruzadas no Cafeína, na fila do cinema, fazendo compras no Extra ou no Baile Charme sob o viaduto de Madureira. Tem gente de todo tipo e para todos os gostos esperando o cupido com a bunda na janela.
Já repararam que a maioria dos casais fazem aniversário de namoro entre abril e setembro? Alguém tem dúvida de porquê se comemora o dia dos namorados em Junho? O frio dá uma força para que os relacionamentos aconteçam, mesmo sendo inerente ao homem buscar por uma companhia, no inverno o instinto toma conta, força a barra mesmo. É uma ajuda da natureza diante da resistência de alguns grupos. Tá todo mundo querendo emagrecer, alisando o cabelo e modernizando os jeans para não ficar para 2012, porque se você ainda não foi convidado para jantar no próximo final de semana, muito provavelmente não será e é melhor pensar em alguma coisa para fazer, caso contrário, um bom livro, Homeopax e cama.
...continua na próxima semana, 13/06.
L.P.
sexta-feira, 3 de junho de 2011
Tratado sobre o tempo
Para André Lynch, Fábio Muniz, Marcos Dávila, Patricia Avelar, Leandro Massaferri e Airton Mendonça.
Ontem, antes de dormir, dei aquela última olhada nas atualizações do Facebook e a última coisa que li foi o Andrezinho dizendo que a semana tinha se arrastado, eu discordei na hora, para mim ela passou voando. Quando me deitei veio aquele turbilhão de pensamentos que a gente não consegue evitar e todo tipo de especulação para uma explicação do porquê do tempo passar tão rapidamente. Eu sempre acreditei em referencial, e até experimento um pouco disso toda vez que viajo, pois quanto mais coisas você faz, e quanto mais distintas uma das outras são, fazem parecer que o tempo rendeu, mas ele só foi bem aproveitado.
Nunca acreditei que isso tivesse a ver com o fim dos tempo segundo os livros religiosos, pois essa sensação de emergência temporal varia muito de cultura, cidade e pessoa. Não é possível que no Rio o dia tenha 18 horas, em São Paulo, 9h e em Vitoria ou São Matheus, 32 horas. O dia e a noite continuam tendo o mesmo tempo, os relógios estão aqui para nos provar isso. O diferencial é ter, ou não, coisas para fazer, sejam úteis ou completamente inúteis
Quando acordei esta manhã, antes até de abrir o olho, fui pesquisar pra entender melhor o porquê dessa sensação e olhem o que eu descobri:
Para a psicóloga Maria Alice Pimenta, professora da UFRGS, a noção de tempo tem muito a ver com a nossa memória e nossas expectativas. Quando éramos crianças não tínhamos nenhuma noção do nosso tempo, por isso tínhamos grandes expectativas para que algo acontecesse. Na hora eu não entendi muito bem o que ela quis dizer, mas depois percebi o óbvio. Com o cotidiano e a baixa expectativa por novidades, o tempo parecer mais veloz, "avoa" como diria minha vó Cecília. Só para ilustrar o comentário tente se lembrar do dia que marcou aquele encontro super esperado e o dia parou, a tremedeira durou a tarde toda e a cada 2 horas, quando você olhava no relógio, só tinham passado 15 minutos (rsrs). E aquela resposta da entrevista de trabalho que mudaria a sua vida e que não chegava nunca, quase te derrubou de tanta dor de cabeça, daí você tomou 3 Neosaldinas, que a bula promete efeito em 15 minutos, mas nunca aconteceu. Sem falar naqueles que acabaram de perder seu emprego, o tempo que não tinham antes passou a sobrar e se tornou incrivelmente inútil (relaxa Faísca).
Um outro estudioso, que não vou lembrar o nome dele, diz que nosso cérebro é extremamente otimizado, ele evita fazer duas vezes o mesmo trabalho, por isso a maior parte de nossas ações diárias é automatizada. Quando você vive uma experiência pela primeira vez ele dedica muitos recursos para compreender o que está acontecendo, isso acontece, por exemplo, quando estamos aprendendo a cozinhar, digo por mim. No início é tudo muito complicado, mas com a prática torna-se algo em que você não precisa mais "pensar" para realizar. Estas ações automatizadas passam despercebidas por nós, ou seja, o que faz o tempo parecer que acelera é a rotina.
Outro fator que desencadeia esta sensação é a ansiedade, muita coisa pra fazer, mais tecnologia e muito mais cobrança. O maior problema para nós - digo nós, para aqueles que já passaram dos 30 anos - foi ter vivido numa época pré-internet e pré-informatização, numa época em que tudo demorava e nada era urgente, tinha-se prazo para desenvolver seus trabalhos e projetos, mesmo porque, não tinha outro jeito. Agora, nós mesmo nos cobramos isso porque podemos comparar entre morosidade e rapidez.
Porque não pensei nisso antes?!
Para quem já está achando o texto longo demais, não desanime, agora vem a parte boa, o "pulo do gato", o que talvez um monte de gente já deva ter pensado, mas esqueceram de exercitar e, o mais importante, me participar da boa-nova.
Para Airton Luiz Mendonça (O Estado de São Paulo) o antídoto contra a aceleração do tempo tem uma sigla, M&M (Mude e Marque) e funcionada da seguinte forma: mude fazendo algo diferente sempre, e marque, com se fosse um ritual de registro, tipo festa, foto ou coisa parecida; Viaje sempre nas férias, preferencialmente, para um lugar quente, um ano, e frio no seguinte e marque com fotos, cartões postais e cartas; Tenha filhos (ou cachorros, gatos...), eles destroem a rotina, e por mais que o nosso tempo pareça passar mais rápido ainda, sob a ótica de duas vidas em uma, temos a sensação de que estamos vivendo mais; Faça festas de noivado, casamento, bodas disso e daquilo, vá a shows, cozinhe uma receita nova, escolha roupas diferentes, tenha amigos diferentes com gostos diferentes, religiões diferentes e que gostem de comidas diferentes; Se você odeia Forró, tente aprender a dança-lo até conseguir, isso vale para lambada, xote, samba, funk ou qualquer outro rítmo que você não goste (isso é importante); Não passe tanto tempo no Facebook, principalmente a noite, pelo tempo que você vem usando o microblog, seu cérebro já o faz automaticamente e aposto que você nem sabe quantos comentários ou fotos curtiu no dia anterior.
Fora a parte cômica do que diz respeito ao tema e aos exageros do método M&M, viver intensamente muitas vezes depende de ações mais simples no nosso dia-a-dia, cada um deve estabelecer suas prioridades com equilíbrio para evitar a ansiedade e as vezes até depressão, agradar-se primeiro para depois os outros e o sistema é um ingrediente importante para o sucesso da receita.
Bom final de semana e aproveite bem o seu tempo.
L.P.
Ontem, antes de dormir, dei aquela última olhada nas atualizações do Facebook e a última coisa que li foi o Andrezinho dizendo que a semana tinha se arrastado, eu discordei na hora, para mim ela passou voando. Quando me deitei veio aquele turbilhão de pensamentos que a gente não consegue evitar e todo tipo de especulação para uma explicação do porquê do tempo passar tão rapidamente. Eu sempre acreditei em referencial, e até experimento um pouco disso toda vez que viajo, pois quanto mais coisas você faz, e quanto mais distintas uma das outras são, fazem parecer que o tempo rendeu, mas ele só foi bem aproveitado.
Nunca acreditei que isso tivesse a ver com o fim dos tempo segundo os livros religiosos, pois essa sensação de emergência temporal varia muito de cultura, cidade e pessoa. Não é possível que no Rio o dia tenha 18 horas, em São Paulo, 9h e em Vitoria ou São Matheus, 32 horas. O dia e a noite continuam tendo o mesmo tempo, os relógios estão aqui para nos provar isso. O diferencial é ter, ou não, coisas para fazer, sejam úteis ou completamente inúteis
Quando acordei esta manhã, antes até de abrir o olho, fui pesquisar pra entender melhor o porquê dessa sensação e olhem o que eu descobri:
Para a psicóloga Maria Alice Pimenta, professora da UFRGS, a noção de tempo tem muito a ver com a nossa memória e nossas expectativas. Quando éramos crianças não tínhamos nenhuma noção do nosso tempo, por isso tínhamos grandes expectativas para que algo acontecesse. Na hora eu não entendi muito bem o que ela quis dizer, mas depois percebi o óbvio. Com o cotidiano e a baixa expectativa por novidades, o tempo parecer mais veloz, "avoa" como diria minha vó Cecília. Só para ilustrar o comentário tente se lembrar do dia que marcou aquele encontro super esperado e o dia parou, a tremedeira durou a tarde toda e a cada 2 horas, quando você olhava no relógio, só tinham passado 15 minutos (rsrs). E aquela resposta da entrevista de trabalho que mudaria a sua vida e que não chegava nunca, quase te derrubou de tanta dor de cabeça, daí você tomou 3 Neosaldinas, que a bula promete efeito em 15 minutos, mas nunca aconteceu. Sem falar naqueles que acabaram de perder seu emprego, o tempo que não tinham antes passou a sobrar e se tornou incrivelmente inútil (relaxa Faísca).
Um outro estudioso, que não vou lembrar o nome dele, diz que nosso cérebro é extremamente otimizado, ele evita fazer duas vezes o mesmo trabalho, por isso a maior parte de nossas ações diárias é automatizada. Quando você vive uma experiência pela primeira vez ele dedica muitos recursos para compreender o que está acontecendo, isso acontece, por exemplo, quando estamos aprendendo a cozinhar, digo por mim. No início é tudo muito complicado, mas com a prática torna-se algo em que você não precisa mais "pensar" para realizar. Estas ações automatizadas passam despercebidas por nós, ou seja, o que faz o tempo parecer que acelera é a rotina.
Outro fator que desencadeia esta sensação é a ansiedade, muita coisa pra fazer, mais tecnologia e muito mais cobrança. O maior problema para nós - digo nós, para aqueles que já passaram dos 30 anos - foi ter vivido numa época pré-internet e pré-informatização, numa época em que tudo demorava e nada era urgente, tinha-se prazo para desenvolver seus trabalhos e projetos, mesmo porque, não tinha outro jeito. Agora, nós mesmo nos cobramos isso porque podemos comparar entre morosidade e rapidez.
Porque não pensei nisso antes?!
Para quem já está achando o texto longo demais, não desanime, agora vem a parte boa, o "pulo do gato", o que talvez um monte de gente já deva ter pensado, mas esqueceram de exercitar e, o mais importante, me participar da boa-nova.
Para Airton Luiz Mendonça (O Estado de São Paulo) o antídoto contra a aceleração do tempo tem uma sigla, M&M (Mude e Marque) e funcionada da seguinte forma: mude fazendo algo diferente sempre, e marque, com se fosse um ritual de registro, tipo festa, foto ou coisa parecida; Viaje sempre nas férias, preferencialmente, para um lugar quente, um ano, e frio no seguinte e marque com fotos, cartões postais e cartas; Tenha filhos (ou cachorros, gatos...), eles destroem a rotina, e por mais que o nosso tempo pareça passar mais rápido ainda, sob a ótica de duas vidas em uma, temos a sensação de que estamos vivendo mais; Faça festas de noivado, casamento, bodas disso e daquilo, vá a shows, cozinhe uma receita nova, escolha roupas diferentes, tenha amigos diferentes com gostos diferentes, religiões diferentes e que gostem de comidas diferentes; Se você odeia Forró, tente aprender a dança-lo até conseguir, isso vale para lambada, xote, samba, funk ou qualquer outro rítmo que você não goste (isso é importante); Não passe tanto tempo no Facebook, principalmente a noite, pelo tempo que você vem usando o microblog, seu cérebro já o faz automaticamente e aposto que você nem sabe quantos comentários ou fotos curtiu no dia anterior.
Fora a parte cômica do que diz respeito ao tema e aos exageros do método M&M, viver intensamente muitas vezes depende de ações mais simples no nosso dia-a-dia, cada um deve estabelecer suas prioridades com equilíbrio para evitar a ansiedade e as vezes até depressão, agradar-se primeiro para depois os outros e o sistema é um ingrediente importante para o sucesso da receita.
Bom final de semana e aproveite bem o seu tempo.
L.P.
terça-feira, 31 de maio de 2011
O meio-termo da felicidade
Para Luciana Gomes.
Na sexta-feira, quando decidi passar o final de semana em Xerém (novamente) o fiz por três motivos distintos:
1- Estava sem dinheiro, fim de mês atrai bolso vazio, é a lógica proletária;
2- Estava morrendo de saudade da minha família, principalmente do meu sobrinho;
3- Estava frio e chovendo e eu adoro o frio úmido da serra.
Se o tédio não se intrometesse, eu ficaria na boa, certamente o final de semana seria maravilhoso, era só eu mantê-lo longe que aproveitaria o ócio e o ar fresco pra produzir boas idéias. Então, enfiei umas revistas e dois livros na mochila, coloquei também um short de dormir, uma camiseta branca, remédio de nariz (frio é bom, mas nem tanto) e parti na tarde de sábado feliz da vida.
Essas viagens de ônibus dão tempo de você fazer um monte de coisas entre os pontos de partida e de chegada. Algo que possa ser manipulado no espaço entre o tórax e o encosto da poltrona da frente, ou seja, ler. Livros, jornais, revistas, nada de fazer as unhas, descolorir os pelos ou arriscar uma cantoria. Colocar a leitura em dia é, e sempre será, a melhor opção nesses casos.
De dentro da mochila, entre as últimas edições da revista Veja e dois livros - O Mundo de Sofia (romance da historia da filosofia) e O Pessimismo e Suas Vontades -, ambos de filosofia, tirei o segundo e resolvi reler uns trechos do trabalho do alemão Arthur Schopenhauer e logo fui tragado para dentro das páginas pelo fluxo “hemorrágico” das suas idéias e absorvido por uma força que fez o tempo passar rápido, empurrando a luz do sol para baixo das rodas e pintando com as cores da noite a janela atrás da cortina. Esforcei-me para não reler Marx e Darwin no primeiro livro para dar uma atenção a outro queridíssimo filósofo e suas magníficas teorias.
Sendo raso mesmo quando Schopenhauer merece profundidade, vou falar rapidinho do que mais intriga na sua maneira de pensar, a vontade. Segundo ele, a vontade torna o homem miserável porque faz do desejo a sua força vital. Ele vive porque deseja conquistar algo, trabalha porque tem necessidades, casa-se porque precisa se relacionar e depois que realiza todos os seus desejos, volta à posição de miserável (lê-se necessitado) e logo busca outra razão para continuar vivendo. Então muda de trabalho, troca de carro, de mulher (marido), vende a casa que lutou tanto pra conseguir e faz qualquer coisa que possa libertá-lo do fracasso de simplesmente viver tranquilamente. Inspira-se na sociedade louca e consumista e motiva-se pelo querer, que geralmente nasce do interesse pela vida do outro.
Cansativo demais, eu concordo, mas fazemos isso o tempo todo sem perceber e colocamos a felicidade exatamente no final desse desejo, onde começa a realização, mas também, onde começa a contagem regressiva para uma nova necessidade e o início de uma nova epopéia sem fim.
Meu final de semana interio se resumiu a isso. Lembrei-me que quando estava bem de grana não passei por nenhum período depressivo, e que agora, do dia 1º ao 5º dia útil de todo mês, para cada conta, um Diazepan de 10mg. Já comprei toda a felicidade que pude, calças, camisas, sapatos, férias na Europa. Construí uma casa, fui plenamente satisfeito. Agora desejo um monte de coisas novas que não posso ter por enquanto e já me sinto mal. Será que eu quis pouco e trabalhei demais e agora apresento cansaço? Será que se eu quiser menos e trabalhar o equivalente terei mais qualidade de vida e serei mais feliz? Em que ponto a felicidade pode ser saudável se no momento em que ela se torna plena colocamos tudo a perder?
Será que precisamos desejar menos para vivermos mais e estancar essa sucessão de vontades e satisfações que nos empurram para o vazio a todo tempo? O pêndulo entre a necessidade e a satisfação deve oscilar menos entre os extremos, quase parando, para que o sofrimento por não ter o que se deseja não produza tanta gente emocionalmente instável, antiética e imoral. O homem do SER deve ser maior que o homem do TER, esse é o caminho da verdadeira felicidade e já está dentro de nós.
Antes de voltar pra casa ainda ouvi da minha mãe que eu estava muito anti-social no final de semana. Não dá pra pensar e refletir tanto e ao mesmo tempo alimentar tartarugas, dar banho no cachorro e “plantar bananeira” pra fazer meu sobrinho sorrir. Uma coisa de cada vez, neste final de semana foi preciso relativizar a felicidade para eu começar a viver melhor.
L.P.
Na sexta-feira, quando decidi passar o final de semana em Xerém (novamente) o fiz por três motivos distintos:
1- Estava sem dinheiro, fim de mês atrai bolso vazio, é a lógica proletária;
2- Estava morrendo de saudade da minha família, principalmente do meu sobrinho;
3- Estava frio e chovendo e eu adoro o frio úmido da serra.
Se o tédio não se intrometesse, eu ficaria na boa, certamente o final de semana seria maravilhoso, era só eu mantê-lo longe que aproveitaria o ócio e o ar fresco pra produzir boas idéias. Então, enfiei umas revistas e dois livros na mochila, coloquei também um short de dormir, uma camiseta branca, remédio de nariz (frio é bom, mas nem tanto) e parti na tarde de sábado feliz da vida.
Essas viagens de ônibus dão tempo de você fazer um monte de coisas entre os pontos de partida e de chegada. Algo que possa ser manipulado no espaço entre o tórax e o encosto da poltrona da frente, ou seja, ler. Livros, jornais, revistas, nada de fazer as unhas, descolorir os pelos ou arriscar uma cantoria. Colocar a leitura em dia é, e sempre será, a melhor opção nesses casos.
De dentro da mochila, entre as últimas edições da revista Veja e dois livros - O Mundo de Sofia (romance da historia da filosofia) e O Pessimismo e Suas Vontades -, ambos de filosofia, tirei o segundo e resolvi reler uns trechos do trabalho do alemão Arthur Schopenhauer e logo fui tragado para dentro das páginas pelo fluxo “hemorrágico” das suas idéias e absorvido por uma força que fez o tempo passar rápido, empurrando a luz do sol para baixo das rodas e pintando com as cores da noite a janela atrás da cortina. Esforcei-me para não reler Marx e Darwin no primeiro livro para dar uma atenção a outro queridíssimo filósofo e suas magníficas teorias.
Sendo raso mesmo quando Schopenhauer merece profundidade, vou falar rapidinho do que mais intriga na sua maneira de pensar, a vontade. Segundo ele, a vontade torna o homem miserável porque faz do desejo a sua força vital. Ele vive porque deseja conquistar algo, trabalha porque tem necessidades, casa-se porque precisa se relacionar e depois que realiza todos os seus desejos, volta à posição de miserável (lê-se necessitado) e logo busca outra razão para continuar vivendo. Então muda de trabalho, troca de carro, de mulher (marido), vende a casa que lutou tanto pra conseguir e faz qualquer coisa que possa libertá-lo do fracasso de simplesmente viver tranquilamente. Inspira-se na sociedade louca e consumista e motiva-se pelo querer, que geralmente nasce do interesse pela vida do outro.
Cansativo demais, eu concordo, mas fazemos isso o tempo todo sem perceber e colocamos a felicidade exatamente no final desse desejo, onde começa a realização, mas também, onde começa a contagem regressiva para uma nova necessidade e o início de uma nova epopéia sem fim.
Meu final de semana interio se resumiu a isso. Lembrei-me que quando estava bem de grana não passei por nenhum período depressivo, e que agora, do dia 1º ao 5º dia útil de todo mês, para cada conta, um Diazepan de 10mg. Já comprei toda a felicidade que pude, calças, camisas, sapatos, férias na Europa. Construí uma casa, fui plenamente satisfeito. Agora desejo um monte de coisas novas que não posso ter por enquanto e já me sinto mal. Será que eu quis pouco e trabalhei demais e agora apresento cansaço? Será que se eu quiser menos e trabalhar o equivalente terei mais qualidade de vida e serei mais feliz? Em que ponto a felicidade pode ser saudável se no momento em que ela se torna plena colocamos tudo a perder?
Será que precisamos desejar menos para vivermos mais e estancar essa sucessão de vontades e satisfações que nos empurram para o vazio a todo tempo? O pêndulo entre a necessidade e a satisfação deve oscilar menos entre os extremos, quase parando, para que o sofrimento por não ter o que se deseja não produza tanta gente emocionalmente instável, antiética e imoral. O homem do SER deve ser maior que o homem do TER, esse é o caminho da verdadeira felicidade e já está dentro de nós.
Antes de voltar pra casa ainda ouvi da minha mãe que eu estava muito anti-social no final de semana. Não dá pra pensar e refletir tanto e ao mesmo tempo alimentar tartarugas, dar banho no cachorro e “plantar bananeira” pra fazer meu sobrinho sorrir. Uma coisa de cada vez, neste final de semana foi preciso relativizar a felicidade para eu começar a viver melhor.
L.P.
sexta-feira, 27 de maio de 2011
A sexta-feira e as leis básicas do humor.
Para Leo Batista.
Compartilho da opinião de alguns médicos que o bom humor é melhor que muito remédio e mais eficiente que psicoterapia no tratamento e cura de muitas doenças. Bom humor com inteligência é melhor ainda, pois além de curar um dia chato e dor de barriga serve para absolver aquele amigo pentelho que vive mandando e-mails engraçadinhos com piadas e afins que só ele acha graça*. Então, acrescente o ingrediente sexta-feira - dia internacional da piada - nessa receita e sua caixa de e-mails transbordará de tentativas para te fazer rir.
99% dessas tentativas não vão funcionam se você for como eu, que não acha graça no óbvio, nas respostas previsíveis e sempre espera que alguém te surpreenda. Entretanto, ainda existe 1% de probabilidade que pode dar certo e foi exatamente uma dessas que veio parar na minha caixa de e-mail hoje de manhã.
Reparem como existe uma relação próxima com a ciência e a filosofia. rsrs
* Se depois dessa você achar que não valeu a pena ter sido direcionado ao C-XY e que sou fruto da minha própria crítica, segue o telefone do SAC 9410-333..., falar com Leo Batista.
10- LEI DA RELATIVIDADE DOCUMENTADA:
11- LEI DO ESPARADRAPO:
· Tudo que é bom na vida é ilegal, imoral, engorda ou engravida.
13- LEI DA ATRAÇÃO DE PARTÍCULAS:
Compartilho da opinião de alguns médicos que o bom humor é melhor que muito remédio e mais eficiente que psicoterapia no tratamento e cura de muitas doenças. Bom humor com inteligência é melhor ainda, pois além de curar um dia chato e dor de barriga serve para absolver aquele amigo pentelho que vive mandando e-mails engraçadinhos com piadas e afins que só ele acha graça*. Então, acrescente o ingrediente sexta-feira - dia internacional da piada - nessa receita e sua caixa de e-mails transbordará de tentativas para te fazer rir.
99% dessas tentativas não vão funcionam se você for como eu, que não acha graça no óbvio, nas respostas previsíveis e sempre espera que alguém te surpreenda. Entretanto, ainda existe 1% de probabilidade que pode dar certo e foi exatamente uma dessas que veio parar na minha caixa de e-mail hoje de manhã.
Reparem como existe uma relação próxima com a ciência e a filosofia. rsrs
* Se depois dessa você achar que não valeu a pena ter sido direcionado ao C-XY e que sou fruto da minha própria crítica, segue o telefone do SAC 9410-333..., falar com Leo Batista.
1- LEIS DA ATRAÇÃO
(COISAS QUE SE ATRAEM SEM ESFORÇO NENHUM):
Olho e bunda;
Pobre e funk;
Mulher e vitrine;
Homem e cerveja;
Chifre e dupla sertaneja;
Carro de bêbado e poste;
Tampa de caneta e orelha;
Olho e bunda;
Pobre e funk;
Mulher e vitrine;
Homem e cerveja;
Chifre e dupla sertaneja;
Carro de bêbado e poste;
Tampa de caneta e orelha;
Tornozelo e pedal de bicicleta;
Leite fervendo e fogão limpinho;
Político e dinheiro público;
Dedinho do pé e ponta de móveis;
Camisa branca e molho de tomate;
Tampa de creme dental e ralo de pia;
Café preto e toalha branca na mesa;
Dezembro na Globo e Roberto Carlos;
Segundas-feiras e sono;
Terças-feiras e sono;
Quartas-feiras e sono;
Quintas-feiras e sono;
Sextas-feiras e cervejaaaa;
Chuva e carro trancado com a chave dentro;
Dor de barriga e final de rolo de papel higiênico;
Bebedeira e mulher feia;
Leite fervendo e fogão limpinho;
Político e dinheiro público;
Dedinho do pé e ponta de móveis;
Camisa branca e molho de tomate;
Tampa de creme dental e ralo de pia;
Café preto e toalha branca na mesa;
Dezembro na Globo e Roberto Carlos;
Segundas-feiras e sono;
Terças-feiras e sono;
Quartas-feiras e sono;
Quintas-feiras e sono;
Sextas-feiras e cervejaaaa;
Chuva e carro trancado com a chave dentro;
Dor de barriga e final de rolo de papel higiênico;
Bebedeira e mulher feia;
2- LEIS BÁSICAS DA CIÊNCIA MODERNA:
· Se mexer, pertence à Biologia.
· Se feder, pertence à Química.
· Se não funciona, pertence à Física.
· Se ninguém entende, é Matemática.
· Se não faz sentido, é Economia ou Psicologia.
· Se mexer, feder, não funcionar, ninguém entender e não fizer sentido, é INFORMÁTICA.
3- LEI DA PROCURA INDIRETA:
· O modo mais rápido de encontrar uma coisa é procurar outra.
· Você sempre encontra aquilo que não está procurando.
4- LEI DA TELEFONIA:
· Quando te ligam: se você tem caneta, não tem papel. Se tiver papel, não tem caneta.
Se tiver ambos, ninguém liga.
· Quando você liga para números errados de telefone, eles nunca estão ocupados.
· Parágrafo único: Todo corpo mergulhado numa banheira ou debaixo do chuveiro faz tocar o telefone.
5- LEI DAS UNIDADES DE MEDIDA:
· Se estiver escrito 'Tamanho Único', é porque não serve em ninguém, muito menos em você.
6- LEI DA GRAVIDADE:
· Se você consegue manter a cabeça enquanto à sua volta todos estão perdendo, provavelmente você não está entendendo a gravidade da situação.
7- LEI DOS CURSOS, PROVAS E AFINS:
· 80% da prova final será baseada na única aula a que você não compareceu e os outros 20% será baseada no único livro que você não leu.
8- LEI DA QUEDA:
· Qualquer esforço para agarrar um objeto em queda provoca mais destruição do que se o deixássemos cair naturalmente.
· A probabilidade de o pão cair com o lado da manteiga virado para baixo é proporcional ao valor do carpete.
9- LEI DAS FILAS E DOS ENGARRAFAMENTOS:
· A fila do lado sempre anda mais rápido.
· Parágrafo único: Não adianta mudar de fila. A outra é sempre mais rápida.
10- LEI DA RELATIVIDADE DOCUMENTADA:
· Nada é tão fácil quanto parece, nem tão difícil quanto a explicação do manual.
11- LEI DO ESPARADRAPO:
· Existem dois tipos de esparadrapo: o que não gruda e o que não sai.
12- LEI DA VIDA:
· Uma pessoa saudável é aquela que não foi suficientemente examinada.
13- LEI DA ATRAÇÃO DE PARTÍCULAS:
· Toda partícula que voa sempre encontra um olho aberto.
L.P.
segunda-feira, 23 de maio de 2011
Valor inestimável, inorgânico e mineral.
Para Vinicius Duarte e Daniel Vasconcelos.
Depois de 1 ano desde a minha primeira viagem à Europa eu não parava para arrumar as minhas coisas e organizar meu guarda-roupas. Diariamente, eu só movo coisas de um lado para outro sem me dar conta do que são. Coisas que fui acumulando ao longo dos anos e que nem faço idéia da existência.
Bem, na verdade esse é o final da história, porque ela começa de outra forma.
Semana passada, recebi um amigo para jantar e começamos a falar apaixonadamente sobre a vida e as experiências carimbadas em um passaporte. Foi uma viagem e tanto quando percebemos que naquele universo de dois homens e uma sala vazia, as lembranças haviam decorado o espaço, as paredes e onde sobrava lugar com ornamentos quase palpáveis das nossas histórias. As palavras tinham uma aura dourada e o perfume daqueles dias e noites longe de casa. Os olhos brilhavam como se aquilo tivesse acabado de acontecer, mas a surpresa de fato só viria horas depois.
Não me impressionou que o tema tivesse rendido tanto assunto, o Daniel é um rapaz simpático, super inteligente e cheio de preciosidades a acrecentar e isso funcionou como combustível para as minhas memórias. Falamos tanto, que a partir de um determinado momento, mais que palavras, só os livros poderiam dizer algo mais. Maravilhas ilustradas adquiridas durante as férias e com valores inestimáveis que superam em importância qualquer outra bugiganga fruto do freeshop que pudesse ter pesado na minha mala.
De repente me lembrei de uma coisa que na época da viagem não fez muito sentido, e que só agora se justificava.
Abre parenteses...
Quando estive em Versailles, Paris, tive uma surpresa maior que a Torre Eiffel no palácio do rei Luiz XV e sua "descabeçada" nora Maria Antonieta. Um monumento em forma de casa com aposentos suntuosos e jardins luxuriantes de odor inigualável, uma expécie de relva e sumo de talos de vegetais, bem acentuados para o olfato de um alérgico. Fiquei tão encantado com tudo, principalmente a história, que mesmo 4 horas depois, quando enfim deixei o lugar, não resisti e joguei um punhado de pedras miúdas do pátio principal dentro da minha sacola, junto com uns livros que eu tinha comprado. Aquilo não fez muito sentido na hora, mas era uma forma de voltar pra casa com algo que realmente tivesse pertencido a história. Materia inorgânica, resistente ao tempo e ao esquecimento.
Dias depois, Paris ficou para trás junto com o frio da primavera europeia, e eu estava, novamente, diante de um novo monumento, esse muito maior que qualquer obra de Antony Gaudi, Miró ou Picasso juntos. O Mar Mediterrâneo e a cidade de Barcelona.
Eu fiquei extremamante agradecido a Deus e aos santos de A a Z pela oportunidade de pisar em águas "não atlânticas" e ponto de partida para a viagem que deu a luz às Américas de Colombo. Da mesma forma que aconteceu em Versailles, antes de sair da praia, eu também apanhei um monte de pedras e joguei no fundo da mochila.
Atravessei o Atlântico de volta pra casa e essas pedras rolaram por um ano esquecidas entre roupas amarrotadas até semana passada.
Fecha parenteses...
Quando o nosso assunto beirava a exaustão e o Daniel parecia cansado de me ouvir falar, me lembrei de uma daquelas coisas que eu movia de um lado para o outro sem me dar conta do conteúdo e fui até o armário pegar. No fundo de um pote de vidro envolvido por PVC, as pedras miúdas do Palácio Francês pareciam de plástico e as pedras maiores e arredondadas da praia de Barcelona me lembraram morangos cinzas, pela textura e formato. As lembranças me tomaram como uma agressão e até me assustei com a quantidade de coisas que surgiram de meses antes da viagem, dos sentimentos que experimentei a cada novo passo em direção a realização do meu sonho. Cada coisa mínima, cada pedrinha tinha uma relevância, uma possibilidade, uma participação na história daquele povo e agora estava comigo, misturada às roupas, trancadas, movidas e impregnadas com o meu perfume. Trouxe ao meu quarto, para o meu mundo, o cheiro do mediterrâneo, o sotaque catalão, a madeira podre das embarcações romanas, as gargalhadas das festas em Versailles e o trote dos cavalos dos soldados de Napoleão e a Revolução Francesa. Séculos de história e milênios de existência cruzaram o mar comigo e hoje me ajudam a perceber que nenhuma foto ou bem material que registre uma boa experiência pode ter valor maior que um ícone só meu que confirme no futuro que aquilo tudo não foi um sonho e que de fato aconteceu. Que um monte de pedrinhas pode significar nada para uns, mas para outros ter valor inestimável.
L.P.
Depois de 1 ano desde a minha primeira viagem à Europa eu não parava para arrumar as minhas coisas e organizar meu guarda-roupas. Diariamente, eu só movo coisas de um lado para outro sem me dar conta do que são. Coisas que fui acumulando ao longo dos anos e que nem faço idéia da existência.
Bem, na verdade esse é o final da história, porque ela começa de outra forma.
Semana passada, recebi um amigo para jantar e começamos a falar apaixonadamente sobre a vida e as experiências carimbadas em um passaporte. Foi uma viagem e tanto quando percebemos que naquele universo de dois homens e uma sala vazia, as lembranças haviam decorado o espaço, as paredes e onde sobrava lugar com ornamentos quase palpáveis das nossas histórias. As palavras tinham uma aura dourada e o perfume daqueles dias e noites longe de casa. Os olhos brilhavam como se aquilo tivesse acabado de acontecer, mas a surpresa de fato só viria horas depois.
Não me impressionou que o tema tivesse rendido tanto assunto, o Daniel é um rapaz simpático, super inteligente e cheio de preciosidades a acrecentar e isso funcionou como combustível para as minhas memórias. Falamos tanto, que a partir de um determinado momento, mais que palavras, só os livros poderiam dizer algo mais. Maravilhas ilustradas adquiridas durante as férias e com valores inestimáveis que superam em importância qualquer outra bugiganga fruto do freeshop que pudesse ter pesado na minha mala.
De repente me lembrei de uma coisa que na época da viagem não fez muito sentido, e que só agora se justificava.
Abre parenteses...
Quando estive em Versailles, Paris, tive uma surpresa maior que a Torre Eiffel no palácio do rei Luiz XV e sua "descabeçada" nora Maria Antonieta. Um monumento em forma de casa com aposentos suntuosos e jardins luxuriantes de odor inigualável, uma expécie de relva e sumo de talos de vegetais, bem acentuados para o olfato de um alérgico. Fiquei tão encantado com tudo, principalmente a história, que mesmo 4 horas depois, quando enfim deixei o lugar, não resisti e joguei um punhado de pedras miúdas do pátio principal dentro da minha sacola, junto com uns livros que eu tinha comprado. Aquilo não fez muito sentido na hora, mas era uma forma de voltar pra casa com algo que realmente tivesse pertencido a história. Materia inorgânica, resistente ao tempo e ao esquecimento.
Dias depois, Paris ficou para trás junto com o frio da primavera europeia, e eu estava, novamente, diante de um novo monumento, esse muito maior que qualquer obra de Antony Gaudi, Miró ou Picasso juntos. O Mar Mediterrâneo e a cidade de Barcelona.
Eu fiquei extremamante agradecido a Deus e aos santos de A a Z pela oportunidade de pisar em águas "não atlânticas" e ponto de partida para a viagem que deu a luz às Américas de Colombo. Da mesma forma que aconteceu em Versailles, antes de sair da praia, eu também apanhei um monte de pedras e joguei no fundo da mochila.
Atravessei o Atlântico de volta pra casa e essas pedras rolaram por um ano esquecidas entre roupas amarrotadas até semana passada.
Fecha parenteses...
Quando o nosso assunto beirava a exaustão e o Daniel parecia cansado de me ouvir falar, me lembrei de uma daquelas coisas que eu movia de um lado para o outro sem me dar conta do conteúdo e fui até o armário pegar. No fundo de um pote de vidro envolvido por PVC, as pedras miúdas do Palácio Francês pareciam de plástico e as pedras maiores e arredondadas da praia de Barcelona me lembraram morangos cinzas, pela textura e formato. As lembranças me tomaram como uma agressão e até me assustei com a quantidade de coisas que surgiram de meses antes da viagem, dos sentimentos que experimentei a cada novo passo em direção a realização do meu sonho. Cada coisa mínima, cada pedrinha tinha uma relevância, uma possibilidade, uma participação na história daquele povo e agora estava comigo, misturada às roupas, trancadas, movidas e impregnadas com o meu perfume. Trouxe ao meu quarto, para o meu mundo, o cheiro do mediterrâneo, o sotaque catalão, a madeira podre das embarcações romanas, as gargalhadas das festas em Versailles e o trote dos cavalos dos soldados de Napoleão e a Revolução Francesa. Séculos de história e milênios de existência cruzaram o mar comigo e hoje me ajudam a perceber que nenhuma foto ou bem material que registre uma boa experiência pode ter valor maior que um ícone só meu que confirme no futuro que aquilo tudo não foi um sonho e que de fato aconteceu. Que um monte de pedrinhas pode significar nada para uns, mas para outros ter valor inestimável.
L.P.
quinta-feira, 19 de maio de 2011
Dia da (boa) Inspiração
Para Augusto Gigante, Andre Rocha e Isabel R. Paiva.
Amanhã é o Dia da (boa) Inspiração. Já repararam quanta coisa legal, bonita ou gostosa somos capazes de fazer quando estamos inspirados? Poderia ser ruim, mas as ruins não merecem um dia só pra elas e existem para nos ensinar como esquecer.
Esta data não existe de fato, nem vai existir, mas deveria ser lembrada por todos aqueles que gozam do toque divinal dos seus musos e musas que fazem suas vidas melhores. Estamos cercados por pessoas e coisas inspiradoras por todos os lados, mas eles não se dão conta disso porque o que os tornam inspiração não é importante ou sequer percebido por eles. Está nos olhos de quem vê. São exemplos de atitudes, detalhes, cores, aromas, olhares, coisas simples que transformamos em qualquer outra coisa mágica simplesmente porque o contato fez bem. Um bom filme que te ajuda a ser mais humano pela manhã, um pedaço de queijo que te inspira um molho surpreendente, o sol, a chuva, uma história ou obra de arte inspirada em alguém ou algo que foi amado pela beleza, coragem ou liberdade memoráveis.
Muitas coisas que transformamos em fato ao longo dos anos foram motivadas por uma palavra dita na hora certa, ou mesmo na hora errada, que funcionou pra mudar uma trajetória, e você só sabe disso quando os sentimentos afloram, quando deixa a alma se sobrepor a carne, quando olha para dentro e reconhece que tudo poderia ser diferente se as referências fossem outras. A inspiração vem de fora, mas a motivação nasce dentro de nós. Por isso quero agradecer as pessoas que me inspiraram boas ações ao londo da vida, a Enseada de Botafogo e ao Morro da Urca pelos meus sorrisos, ao meu sobrinho pelas minhas gargalhadas, a "dor da perda" que me faz crescer, ao suco de uva pelo vinho e a vida pela poesia, os amores e os amigos.
A inspiração não tem fronteira nem escolhe a quem, vem de dentro ou brota do nada. Desencadeia um sentimento e muda tudo. Não existe receita nem represa. Não existe explicação nem desculpa. Mora no melhor e no pior dos homens e das coisas. É parte de mim e de você.
L.P.
"Que a inspiração chegue não depende de mim. A única coisa que posso fazer é garantir que ela me encontre trabalhando."
Pablo Picasso.
Amanhã é o Dia da (boa) Inspiração. Já repararam quanta coisa legal, bonita ou gostosa somos capazes de fazer quando estamos inspirados? Poderia ser ruim, mas as ruins não merecem um dia só pra elas e existem para nos ensinar como esquecer.
Esta data não existe de fato, nem vai existir, mas deveria ser lembrada por todos aqueles que gozam do toque divinal dos seus musos e musas que fazem suas vidas melhores. Estamos cercados por pessoas e coisas inspiradoras por todos os lados, mas eles não se dão conta disso porque o que os tornam inspiração não é importante ou sequer percebido por eles. Está nos olhos de quem vê. São exemplos de atitudes, detalhes, cores, aromas, olhares, coisas simples que transformamos em qualquer outra coisa mágica simplesmente porque o contato fez bem. Um bom filme que te ajuda a ser mais humano pela manhã, um pedaço de queijo que te inspira um molho surpreendente, o sol, a chuva, uma história ou obra de arte inspirada em alguém ou algo que foi amado pela beleza, coragem ou liberdade memoráveis.
Muitas coisas que transformamos em fato ao longo dos anos foram motivadas por uma palavra dita na hora certa, ou mesmo na hora errada, que funcionou pra mudar uma trajetória, e você só sabe disso quando os sentimentos afloram, quando deixa a alma se sobrepor a carne, quando olha para dentro e reconhece que tudo poderia ser diferente se as referências fossem outras. A inspiração vem de fora, mas a motivação nasce dentro de nós. Por isso quero agradecer as pessoas que me inspiraram boas ações ao londo da vida, a Enseada de Botafogo e ao Morro da Urca pelos meus sorrisos, ao meu sobrinho pelas minhas gargalhadas, a "dor da perda" que me faz crescer, ao suco de uva pelo vinho e a vida pela poesia, os amores e os amigos.
A inspiração não tem fronteira nem escolhe a quem, vem de dentro ou brota do nada. Desencadeia um sentimento e muda tudo. Não existe receita nem represa. Não existe explicação nem desculpa. Mora no melhor e no pior dos homens e das coisas. É parte de mim e de você.
L.P.
Pablo Picasso.
terça-feira, 17 de maio de 2011
Rio Restaurant Week - 4ª Ed./2011
As principais capitais nacionais recebem o festival de gastronomia mais festejado pelos brasileiros e sinônimo de sucesso pelos apreciadores da arte culinária e também por aqueles que só entendem de comer.
O barato do festival está no fato de que grandes nomes da cozinha brasileira e restaurantes reconhecidos por sua qualidade e pelo alto custo dos seus pratos dispõem de um cardápio exclusivo por preços módicos (e únicos) para atrair um outro público, geralmente interessado, mas afastado dos seus endereços por questões financeiras.
Aqui no Rio, nomes como Manekineko, Skylab (Othon Palace) e Zozô estão no evento com mais 55 restaurantes incríveis que você pode conferir acessando a lista dos participantes e conferindo os cardápios, horários e até a possibilidade de pagar com ticket refeição, \o/ .
Você vai comer, amar e rezar para a próxima edição chegar logo.
Te vejo por ai!
L.P.
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