Bem-vindo ao Cromossomo XY

Este blog não pretende ser correto, fonte de pesquisa ou referência para seus interessados. Ele foi pensado para que outros homens e mulheres entendam melhor como nós (homens) podemos ser românticos, chatos e invariavelmente humanos. O que pensamos das artes, das coisas que não entendemos e principalmente de nós mesmos. Neste blog há espaço para homens de todas as idades, raças, classes sociais e orientação sexual. É feito de pensamentos livres, sem dogmas culturais ou religiosos.


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sexta-feira, 18 de maio de 2012

"Na Boa" ou "De Boa"?


Ultimamente tenho ouvido muita gente falar "de boa" para cá "De Boa" pra lá, mas sinto informar que esta expressão não existe, a maneira correta de ilustrar o que se pretende é "Na Boa". Esta expressão nasceu no Rio de Janeiro entre as décadas de 60 e 70 e exprimia o estado de espírito do carioca, praiano, sempre "relax" nas tardes do posto 9 em Ipanema. A "Boa", neste caso, eram as tardes ensolaradas e tranquilas de praia e para ilustrar que não existia maneira melhor de levar a vida nasceu a expressão "Numa Boa", que depois virou "Na boa" e que hoje dizem "De Boa" (horrível e incabível). Acontece que o Estilo de Vida Carioca virou moda no Brasil e no mundo e, além da beleza da cidade e do povo, nossos maneirismos também viram desejo de domínio e com isso o "Na Boa", entre outras expressões, ganhou outros territórios e novas adaptações. Até aqui tudo bem, o idioma, por ser uma língua viva, vai mudando ao longo das décadas e sofrendo interferências de outras culturas e até dos avanços tecnológicos, mas a contrapartida de tanta mudança é o caráter de patrimônio oral, cultural e imaterial de uma nação, ou região de onde é original, que a língua tem. Por isso mesmo deve ser defendido.

Agora vamos fazer um teste prático para ter certeza que a expressão não foi bem adaptada devido a questões gramaticais. Troque a preposição EM, que exprime ideia de lugar onde se está, mais o numeral UMA (em + uma = NUMA), pela preposição DE, que exprime apenas relação entre palavras, e no final coloque um sentimento qualquer, por exemplo, alegria. Percebeu como não faz sentido e é horrível?!

Não sei quem mudou nossa expressão de “Na Boa” para “De boa”, alguns dizem que ouviram a primeira vez em São Paulo, outros em Brasília e há quem diga que nasceu em algum lugar do Sul, mas o fato é que virou febre em todo Brasil. Como filho do Rio de Janeiro e interessado na perpetuação da minha cultura faço deste texto um manifesto para que os meus conterrâneos, pelo menos, voltem a usá-la como foi originalmente criada. Neste caso não existe o desuso para justificar a mudança do hábito, pois desde que me conheço por gente, e isso já faz tempo, ouço as pessoas dizerem da forma correta, e hoje, até algumas pessoas que falavam corretamente aceitaram a proposta “estrangeira” e já aderiram ao modismo.

Pensei muito se escreveria ou não sobre isso, apesar do incômodo, porque não queria parecer bairrista, mas a vontade que tenho de corrigir as pessoas é tão grande que às vezes sinto minha boca balbuciar involuntariamente a expressão correta.

Na boa, cansei! 

L.P.

terça-feira, 15 de maio de 2012

Viva a Diferença.

Para Fabricio Pietro, Donna Piedade, Gabriel Bittencourt, Rodrigo Feijó e Ricco Haddad.

Vocês já repararam que o que deveria ser positivo para unir acaba distanciando? Ser parecido, similar, idêntico, acaba transformando tudo em uma maçaroca previsível e, no final, ninguém sabe se a zebra é branca com listras pretas ou o contrário.  Se nos detalhes em que nos identificamos com o outro não conseguimos suportar o comportamento refletido, quando somos muito diferentes a história também acaba não dando muito certo porque não estamos interessados em ceder. Na verdade se doar. Não existe “cristo” algum que seja nossa metade da laranja - ou outra figura de linguagem que nos remeta à alma gêmea - sem oportunidade de se apresentar, escolher suas armas e partir pra dentro. Disponibilidade é um “estado de espírito” que faz com que alguns relacionamentos deem certo. Principalmente aqueles que exigem tempo pra acontecer.  Uma boa diferença faz a descoberta ainda mais excitante. Lidar com o inusitado é muito mais interessante. Ser o “oposto-disposto” é o arranque da conexão.

E por falar em conexões e diferenças, na minha última visita à São Paulo reencontrei alguns amigos do Rio que mudaram de cidade em busca de novas oportunidades. Fiz também novos amigos de todos os cantos do Brasil unidos pela afinidade. A impressão que eu tive diante de tanta novidade foi que todos se recaracterizaram no cosmos paulistano. Por mais indiferente que o indivíduo possa ser a toda diversidade, a megalópole brasileira realça o nosso desejo de pertencer a um universo que dita as novas regras urbanas e que liga o Brasil ao mundo pela contemporaneidade, comportamento social, produção artística, pela vasta oferta de serviços ou simplesmente pela capacidade de fazer dinheiro.
Em determinadas esquinas de São Paulo você não consegue identificar a cidade como brasileira devido a esse portal aberto para o mundo. Poderia ser Madri, Nova York, Sidney ou Buenos Aires. E é exatamente por isso que a cidade atrai pessoas de todos os cantos. Espíritos desbravadores e ambiciosos em busca do sucesso profissional e/ou alguma experiência que nenhuma cidade brasileira seria capaz de oferecer.

Acredito que as diferenças que separam Rio e São Paulo sejam as melhores coisas entre as duas cidades. Tanto a cultura do povo como as características geográficas e climáticas nos fazem perceber que uma cidade como o Rio de Janeiro jamais poderia ser como São Paulo por sua natureza turística. É quase impossível dissociar o Rio de Janeiro do cheiro de bronzeador na pele morena dos corpos sarados na praia de Ipanema para associá-lo aos negócios e a um horizonte de alvenaria espelhada. São Paulo é dinheiro e Rio é qualidade de vida (se não para todos, pelo menos para os mais sortudos).  Dinheiro também é qualidade de vida, mas viver bem é tão bom quanto ter dinheiro e, por isso, o Rio ainda é a opção de muita gente.

Assim como as pessoas nascem para aquilo que elas são, as cidades também têm características e peculiaridades que influenciam a personalidade dos seus cidadãos. Cada indivíduo possui um conjunto de diferenciais que o torna único no meio social. Mas diante de tanta diferença, ainda temos um marcador genético que nos faz pertencer ao território no qual fomos originados. Enquanto nativos, somos células que carregamos o DNA da polis e divulgamos sua estrutura social. Jamais pertenceremos a lugar algum se não formos nascidos nele ou tivermos vivido tempo suficiente para nos identificarmos.  Assim como BH é a cara dos mineiros, Belém não poderia ser em outro lugar senão no Pará. E os cariocas não seriam, por definição, um povo feliz (apesar dos pesares) se não tivessem o aporte do Rio de Janeiro. 

Desde que deixamos de ser nômades e começamos a renovar os recursos de um território, passamos a trocar com ele suas características e pudemos enfim nos classificar e ser reconhecidos pela nossa natureza geográfica. São por estes e outros motivos que a crítica entre os gentílicos se torna um discurso vazio do ponto de vista cultural. Não existe a possibilidade de atuarmos no contexto nacional como iguais porque essa diferença é fundamental para enriquecer nosso país e desenvolver nossa cultura.  

Viva a diferença! 
L.P.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Escolhas e Sentenças.

Para Claudio Cunha, Tony Lopes e Dill.

As vezes a perplexidade nos torna imóvel diante de um fato. O que fazer depois disso, eis a questão. Banalizar talvez seja mais fácil, você deixa passar acreditando que não tem jeito e segue a vida. Se a opção for refletir, isso pode dar mais trabalho, porque toda reflexão é digna de uma conclusão, e para valer o tempo dedicado a todo o processo é preciso agir. Por outro lado a ignorância é uma dádiva, quanto menos sabemos sobre algo, mais distante da indignação e do recalque. Você simplesmente aceita e acredita que era o "plano de Deus" reservado para você, mas quem vai nos convencer que o plano de Deus era nos ferrar e nos ver derrotados? Não existe “plano de Deus” para derrotar ninguém, o que existe são as escolhas que esquecemos que fizemos e as parcelas fixas que pagamos por elas pelo resto da vida. Deus é benevolência para quem acredita nele.

Eu e um amigo resolvemos assistir Heleno, filme dirigido por J. Henrique Fonseca, produzido e muito bem estrelado por Rodrigo Santoro. A narrativa não é das mais dinâmicas e a introdução se arrasta um pouco até arrancar, mas do meio para o final a gente até esquece como o filme começou porque somos arrebatados pela perplexidade. Não importa se a produção é ou não biográfica, o que importa é a discussão sobre o comportamento de um mito que esqueceu que era gente.

Naquela sala 60% ocupada, vários Helenos olhavam para a tela sem se reconhecerem. Homens e mulheres que não fazem ideia de que cada cobrança da vida paga com sangue foi uma escolha errada no passado. As vezes pecamos sem noção e pagamos o preço sem sentir. As vezes percebemos o erro, mas não voltamos atrás e deixamos a poeira e a escuridão do passado encobrir o mal feito e lá na frente nunca sabemos como lidar com o resultado. Tudo tão antigo e "autoperdoado" que já não faz mais diferença. Muitas vezes temos menos de 48 horas para voltar atrás de uma decisão ou de um mal feito porque depois disso nos perdoamos a até romantizamos o erro. Repeti-lo e banalizá-lo depois é tipicamente humano, mas até para ser mal caráter precisamos ter noção do mal de que somos capazes de fazer para orgulho e próprio perdão.

Heleno de Freitas foi um craque dito genial, destemperado, doente e imaturo. Teve oportunidade de fazer diferente, mas a arrogância não lhe permitiu enxergar sua condição humana que pouco a pouco tornou-o frágil e tirou-lhe a única coisa que não era devida, sua glória. Muita gente diz que não temos como controlar os eventos do destino, mas acredito que podemos organizar nossas vidas para que esses eventos funcionem ao nosso favor. Vejo muita gente de bem e competente que consegue quase total controle sobre o incontrolável porque estão atentas e dispostas em cada escolha. Porque respeitam a integridade alheia e por conseqüência a própria integridade. O mínimo se reflete no máximo. É como escolher o sapato errado, estragar o look e ficar a festa inteira se penitenciando por isso. As outras pessoas podem não perceber, mas você sabe e isso já é suficiente.

Ainda hoje eu me cobro sobre algumas escolhas que fiz e pago minha sentença sem culpar Deus ou meus pais por minha imaturidade. Tenho certeza que, seja o mito Heleno ou um mortal como eu e você, todos nós atingimos o discernimento em algum momento e mesmo no silêncio dos nossos pensamentos nos declaramos culpados, porque se a culpa nasceu de uma péssima escolha então não tem porque atribuir a Deus ou a terceiros a merda que escolhemos para nós.
Se não tiver conserto, engula o choro e aguente firme!

Até a próxima.
L.P.

terça-feira, 3 de abril de 2012

A Semente da Dúvida.

Para o meu querido amigo Nuno Borges.

Não faz muito tempo ganhei de uma pessoa muito especial um livro sobre mitologia grega. Na época eu estava lendo outro lançamento importante e acabei não dando muita importância ao novo livro, que ficou esquecido no armário. Lembro-me que li poucas das tantas histórias reunidas no volume, e agora, tanto tempo depois, lembrei-me dele, retirei a poeira e o abri aleatoriamente.

No capítulo o autor contava a história sobre o amor de Zeus e Sêmele, o deus-pai do Olimpo e a filha de outros dois personagens importantes ligados à mitologia. Na ocasião deste amor, Zeus ainda era casado com Hera, sua irmã, mas se apaixonou perdidamente por Sêmele, uma mortal nobre, muito jovem e extremamente bela. Zeus não escondeu seu amor do Olimpo nem de sua mulher atual, mas teve que manter sua forma divina disfarçada sob a imagem de um belo rapaz para proteger a amada da morte, pois sua luz e glória destruiria qualquer ser vivo que presenciasse tamanho esplendor.

Hera, muito enciumada, sabendo disso, desceu a terra e se disfarçou de uma ama de Sêmele e durante uma conversa trançou em seus cabelos a semente da dúvida contando-lhe que aquele homem que jurava ser o grande e divino Zeus poderia estar tentando enganá-la, porque ele não parecia ser mais do que um simples mortal. Como Sêmele poderia saber que ele era realmente o divino Zeus? Sêmele estava convencida de que se tratava de Zeus, pois o jovem era o mais belo entre todos os homens da terra. Hera lhe interrompeu antes que a razão lhe abrisse os olhos e sugeriu que da próxima vez que ele dissesse a ela que era Zeus, Sêmele deveria pedir-lhe para que jurasse pelo Estige (esse é um juramento que nem mesmo os próprios deuses podem quebrar), que estaria disposto a lhe dar seja o que fosse o que ela pedisse. “Ordene-lhe que se apresente aos seus olhos com todo o poder e a majestade de sua natureza divina, como quando ocupa o trono do Olimpo”, disse Hera a Jovem Sêmele.

Quando Zeus entrou em seu quarto naquela noite Sêmele não o olhara como um imortal, mas como um simples rapaz e o fez jurar pelo Estige que ele faria qualquer coisa que ela pedisse e diante de seu amor Zeus o fez. Quando Sêmele terminou, o deus a alertou sobre o que poderia acontecer e mesmo assim, movida pela intriga de Hera, a jovem insistiu e foi destruída diante da glória do senhor do Olimpo, destruída pela verdade que ela ignorou baseada no ciúme e na inveja de outra mulher.

Não faço ideia de quem escreveu este conto, nem há quantos séculos atrás, mas os antigos já sabiam que a dúvida era devastadora, que a intriga pode nascer na forma de fofoca ou de um conselho e que precisamos estar atentos quanto a quem nos acaricia e nos sorri. Devemos olhar com a razão sem esquecer que às vezes nosso coração nos cega. Refletir sobre qualquer acontecimento e dar tempo para as coisas assentarem. A solução costuma nascer naturalmente meio ao caos. Ter paciência para esperar o melhor momento para resolver um problema diminuindo as consequências e preservando quem a gente ama de verdade. Não sei se ter trinta e poucos anos ou milênios de existência atenua o impacto que uma atitude mal pensada do outro pode causar, mas conduzir com maturidade uma crise, seja em casa ou trabalho, certamente faz muita diferença. O que poderia durar só até amanhã pode ser para sempre se respeitarmos os caminhos por onde o bom senso nos conduz.

O pecado de Zeus, em minha opinião, foi acreditar que toda sua onipotência bastaria, que todo o seu poder seria suficiente para proteger seu intuito. Ele não contava que do coração de Sêmele, que enchera de confiança e amor, brotaria dúvida tão cruel.

Da desgraça de Sêmele nasce a moral do texto:
Heras sempre existirão a nossa volta, mas na dúvida, cale-se. Nada é mais constrangedor que a verdade quando não estamos preparados para ela.

L.P.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Poesia Versus Tecnologia

O que me inspirou escrever desta vez não foi o amor, apesar de ser movido por essa força em tempo integral, mas a saudade, a certeza que um dia não teremos mais referencia da nossa infância, adolescência e dos tempos antigos que contam e nos ensinam com suas tantas histórias maravilhosas. Não me refiro ao desaparecimento dos registros daquela época, graças à tecnologia eles estão cada vez mais limpos e acessíveis, mas a produção de experiências de maior valor qualitativo em menos quantidade. O que me inspirou escrever este texto foi a espantosa rapidez com que uma curiosidade pode ser satisfeita em três passos simples: 1º - Shazan (aplicativo para smartphones que reconhece qualquer música e retorna todas as informações sobre ela), 2º - Google (este dispensa apresentações), 3º  - Youtube (além de dispensar apresentações é uma das maiores invenções dos tempos modernos).

Tudo começou com o meu insistente interesse por uma música de um filme em cartaz no Telecine. Aquela melodia estava intermitente na minha cabeça a mais de uma semana, até que resolvi aplicar os três passos acima e me deparar com uma performance de Elvis Presley, ao vivo, em 1970, de Sweet Caroline. Além do próprio Neil Diamond, seu autor e interprete. Tão lindo ver aquilo que uma coisa foi me levando a outra e acabei dormindo as 3h da manhã extasiado e  muito emocionado.  Neste caso a tecnologia me ajudou a ter acesso à poesia, mas, e quanto às próximas poesias desta categoria? Quem terá tempo de criá-las com tanta pressa de produzir novidades para girar o capitalismo e alimentar a ambição? Concordo que os avanços tecnológicos são importantíssimos para o progresso nos tratamentos de doenças graves, para gerar lucro, possibilitar novas descobertas além de promover qualidade de vida para o cidadão comum, mas a tecnologia nos viciou em soluções rápidas, acesso rápido à informação e a substituir com a mesma rapidez nossos encantos e nos tornar monstros de carência sedentos por novidade e movimento. Estamos mais conectados a cada dia através da rede e menos conectados fisicamente uns com os outros. Consumimos tudo com muita voracidade e temos cada vez menos tempo e interesse no indivíduo (não vou falar de amor e sexo agora).

Com os avanços tecnológicos a população comum não “descobre” mais nada, apenas acessa o pioneiro, e eu acredito que de alguma forma isso interfira na descoberta de novos artistas que deveriam suprir de poesia os novos tempos. Há tanta pressa em se criar ídolos para fazer dinheiro que não sobra tempo de achar artistas genuínos. Se a paixão move a arte, a insistência é a responsável pela excelência dos resultados dela. Se esses artistas não tiverem tempo de transpirar essa paixão, ela deixa de ser uma força motivadora e se torna uma máquina de frustração porque o tempo é fundamental para a maturação das “idéias” e haja tecnologia ou não este processo é do homem, não tem como acelerar. Quanto a isso não existe ciência que dê jeito (espero!), o homem é fruto da convivência e a ciência e a tecnologia só deveriam melhorar isso, não nos afastar um do outro.

A tecnologia viabiliza tudo que a ciência leva décadas para descobrir, cria mecanismos curiosos e simples para tonar processos intrincados em cultura pop - smartphones, tablets, computadores, monitores de glicemia, aparelhos de Ultrasom 4D do tamanho de celulares, etc –, mas está alheia a poesia, ao romantismo, a arte genuína e ao olhar diferenciado. A tecnologia não bloqueia o processo criativo, muito pelo contrário, possibilitam novas ferramentas para se alcançar resultados, mas nos viciou em velocidade e urgência nestes processos, que para determinadas realizações, só faz atrapalhar.

Haverá um tempo sem equivalentes para Elvis, Machados de Assis, João Ubaldo, Calderon de La Barca, Buñuel, Dalí, Garcia Marques, Dickens, Hendrix, Simone de Beauvoir, Vinicius de Morais, Elis Regina, Saura, George Bizet, Beethoven, entre outros tantos gênios que nos presenteou com um legado artístico inacreditavelmente rico e que servem de referência para os nossos contemporâneos. Desejo que o homem acorde a tempo de aproveitar sua vida com as facilidades que a tecnologia promove sem ser um escravo perpétuo dela. Que troque tardes inteiras dedicadas ao Facebook, consoles de games e outros bichos tecnológicos ao ócio criativo, ao mar, ao Parque do Flamengo, à música, à insistente gota d’água nas Paineiras e outros passaportes que expandam a criatividade. Para que a tecnologia não se oponha a existência da poesia e do romantismo, mas seja uma ferramenta para sua divulgação e propagação só depende de nós, da maneira como vemos o mundo e do que esperamos para o nosso futuro em longo prazo.  Desejo que o homem escreva mais, corra menos, exponha suas idéias por mais absurdas que possam parecer para mim ou para 6 milhões de pessoas, mas que alcance o coração devido e seja a gênese de uma linda poesia que nos faça pensar e garanta um sorriso quando tudo parecer plástico e com gosto de comida congelada.

Até a próxima.
L.P.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

A Minha Versão do Amor.

É fato, quanto mais me afasto da adolescência e daqueles tempos de ebulição hormonal, mais próximo da verdade e da minha própria versão dos romances eu fico. Quem me acompanha no blog deve estar se perguntando por que eu volto tanto a este assunto. A minha resposta é a seguinte: Enquanto eu não entender esse mecanismo perturbador da química do amor eu não vou parar de refletir a respeito (ou até que alguém me ajude a entendê-lo), porque já perguntei a um monte de gente competente e de sucesso no negócio sobre estes mecanismos e as respostas mais próximas do esperado tinham a ver com dogma, mitologia ou redenção total, e isso não me interessa.

O sentimento pode até ser imprevisível, mas o homem ...

Das coisas típicas do amor:

Todas as vezes que a “coisa” aconteceu, a carência era mais nítida do que a afinidade e a admiração. Tinha sempre alguém na merda e alguém a fim de comer gente. As frestas que se permitia ver além da cortina eram estreitas e mal iluminadas e a “coisa” toda acontecia como um milagre. Esqueçam do amor incondicional, o tal amor a primeira vista e outros amores imortalizados no cinema. Estou falando de vida real.
O amor, como o chamam, em minha opinião, é um amontoado de coisas confusas a meia-luz, sob uma camada espessa de conformismo, dependência, vista grossa e amizade, que por falta de outro nome, chamamos de amor. A coisa é tão louca que antes de nos declararmos nunca sabemos o que estamos sentindo. É uma mistura de cama boa, com ótima companhia e bom comportamento ético, mas isso nem sempre vem acompanhado de estabilidade econômica e impecável relação familiar, quesitos importantíssimos nos dias atuais. Aceitação e equilíbrio psicológico então... é pedir demais. Fica sempre uma coisa pela outra. Falta aqui, repõe dali, e no calor da crise de 1 ano nos perguntamos: “É isso mesmo que eu quero?!”. Conheço casais que estão juntos e nem sabem por quê. Conheço casais que se pudessem se matavam uma vez por semana para satisfazer a gana de ver o cônjuge calado um dia todo.

O amor nasce do drama: 

Acredito que o amor para se estruturar e se instaurar dependa de um grande drama na vida. Algo que gere gratidão, admiração ou até dívida mesmo, porque se o tal amor nasce de uma confusão de sentidos, quanto mais estranho o sentimento melhor. Morre o pai de um, o outro perde o emprego, alguém quebra a perna, um carro é roubado, a mãe surta. Se alguma coisa acontece e um ombro aparece, se não for amigo, vira amor! É estranho mesmo, mas se de um lado tem alguém que precisa, do outro terá sempre alguém disposto a ajudar, e se acabar em cama, vira namoro. Não é amor, mas tem gente que prefere chamar assim. Ainda falando do bom “ombro amigo”, aqui vai uma dica importante: Nunca ofereça um copo d’água a alguém que está sofrendo por amor, ombro então, jamais. Nessa de consolar Maria, João só descobriu que o amor não deu certo porque ele não era o Huguinho,  o Zézinho ou o Luizinho. Nesses casos deixa o ombro para o amigo gay.

Desprezo: o mapa do amor.

O próximo passo é a posse. Uma TV de LED só tem valor se tiver na parede da nossa casa. Se a mesma TV estiver na calçada sem dono, ela pode estar novinha, recém saída da loja, que ninguém vai se aventurar em leva-la para casa para testar. O objeto de amor e desejo de qualquer um não quer ser visto como uma televisão nova na calçada, mas se alguém a mantém na parede, sem uso, rola confusão. Todo ser humano, rico ou pobre, feio ou bonito precisa ser valorizado, até aqueles que odeiam bajulação amam ser bajulados, porque isso agrega valor ao produto. Como vou saber se ainda sirvo se ninguém senta diante de mim na sala, mas se eu for para a calçada ninguém vai me levar para casa, pode até pegar, mas vai deixar na calçada mesmo (rs).  É melhor eu brigar com quem me comprou do que deixar espaço para outra entrar. É mais ou menos assim que acontece nas relações. Despreze, e tará amor.
Se eu estiver errado, deixe um recado pra mim que prometo refletir.

Reinvenção do amor:

Minha versão para o amor não é aversão ao amor, é uma reinvenção dele mesmo porque vai mais longe. Antes eu ficava de olho nas entrelinhas, nos atrasos, nas frases incompletas, no celular no vibra call e na quantidade de vezes que o MSN apitava comigo no outro lado do telefone. Eu era um chato no quesito confiança, (putz, como vocês me agüentaram?). Imaginar uma sexta-feira sem mim, bordejos no calçadão, praia com a galera, chope fora de hora, compromissos estranhos, tias estranhas e até concursos públicos fora da cidade era papo de revolução e fim de caso. Com a popularização do Facebook e o advento do Grindr (Deus me livre!) decidi que antes de pirar eu vou me reeducar, ser mais relax, acreditar que o amor perfeito deve ser também um pouco cego e um pouquinho submisso para durar além do outono / inverno. Resistir ao verão e passar sem arranhões pelo carnaval e as férias alheias.

Minha versão pode ser estranha e muito mais confusa que o próprio amor, mas ela é acima de tudo real. Quando eu era garoto eu me apaixonava a cada 15 dias e sofria muito no final do ciclo porque não praticava a realidade. Hoje penso em outras coisas, outros pormenores que fazem desse amor menos fabuloso, onde os alfinetes, remendos e grampos aparecem sem fragilizar ou mesmo desvalorizar o produto. Todo amor é frágil por natureza, o que faz dele uma fortaleza é o quanto de empenho os envolvidos dedicam para guardá-lo e protegê-lo, respeitando as diferenças sem perder o carinho e a boa vontade. 

Falastrices e brincadeiras a parte, minha versão do amor é a minha reinvenção dele mesmo.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Facebook, a nova arma mais poderosa do mundo.

Para Alessandra Dayrell, Cyro Mariquito, Gustavo Venceslau, Fillipi Barbiere, Suzana Miró, Sandro Silvestre, Tony Lopes, Crístian Leal e Eduardo Vianna. 

Pessoal, vamos pensar juntos... o Brasil é um país jovem, tem muito o que aprender e conquistar. O passado já não conta mais, mas ajuda a gente a entender como tudo começou e porque muitas coisas necessárias ainda são necessidade desde Abril de 1500. Educação por exemplo. Somos o típico garotão cheio de potencial mas perdido nos seus interesses. Isso aconteceu com a Europa e outros grupos de países dos velhos continentes. Não foi da noite para o dia que a barbárie deu lugar à civilidade. Vamos ter calma, a revolução está em nossas mãos e já está acontecendo. Vamos trabalhar para isso.
Eduquem seus filhos, ajudem na formação de seus sobrinhos, primos, vizinhos... nós seremos os formadores dos novos políticos de amanhã, quiçá, seremos esses políticos também. A mudança não vem de outra camada senão das superiores, mas a força brota na raiz. É de baixo para cima e de dentro para fora. Está nas mãos do povo.
Resignar-se com um vazamento de óleo no norte da Bacia de Campos, assaltos, fraudes políticas, homicídios esquecidos pela força do dinheiro ou demostrações de imperícia e falta de bom-senso é o principal tempero para o que eu chamo de Força de Mudança. É o que dá corpo, liga, consistência a um sentimento chamado insatisfação. Junte a isso uma boa dose de indignação pelo imoral e você será um militante bem armado contra o imprestável.

O Facebook é um ótimo difusor de idéias e ideais. Compartilhamos através dele nossas felicidades, tristezas, conquistas, graças, desgraças e até fofocas destrutivas sem que ninguém nos peça pra fazer, a adesão é livre e os comentários são inevitáveis, alguém sempre vai te "ouvir" e comentar, o que significa que dá certo. Nesta década preciosa, nasceu a maior ferramente de mudança de todos os tempos. Estamos num momento em que a palavra escrita ganha mais força que a falada e o virtual tornou-se uma fuga viciosa do real. O Facebook é o primeiro canal de acesso, e o PC, o seu novo cérebro com um processador Intel e milhares de MEGA de memória, até mais poderoso que o seu cérebro em uso. Que tal usarmos essas importantes ferramentas para azeitar o bom-senso alheio? Isso aconteceu a pouco tempo no Egito e mudou a história daquele país e vem sendo um canal democrático e livre para juntar aqueles "amigos" que pensam iguais a nós e lutam pelos mesmos ideais. Não temos que ser só divertidos e mundialmente conhecidos como um Povo com uma energia extraordinária (brasileiros), podemos ser tudo isso e muito mais, podemos ser organizados, conscientes e educados e em 10 anos colheremos o fruto do novo cidadão.

Você que chegou ao último parágrafo não faz ideia de como me envergonho do que algumas pessoas fazem com suas vidas escancaradas no microuniverso "facebookiano". Os comentários mais empobrecidos e vexaminosos com 60 ou mais comentários de apoio, fulanos que "curtiram" isso ou aquilo e que não fazem a menor diferença em termos sociais. Defendo a prática do entretenimento para entediados, mas defendo ainda mais a conscientização no meio, da exposição do torto e dos meios para fins gloriosos.
O Facebook é muito mais que uma ferramenta de pegação e facilitadora de sexo casual, ele é um aglomerador de pensamentos convergentes que podem mudar o mundo de maneira rápida e definitiva.
Se o Mr. Mark Elliot Zuckerberg não pensou nisso para a sua plataforma ou se não quis que isso acontecesse, ele acabou dando um tiro no próprio pé.

L.P.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Diário de Bordo - Planeta Atacama

Para Alessio Fernando (companheiro de viagem), Fillipi Barbiere, Marcos Motta, Carol Zoccoli e Alex (Sr. Carol).

Quase uma semana depois de voltar de uma das melhores descobertas que fiz na vida, os meus amigos me perguntam apenas como foi a viagem. Não se referem a algo grandioso querem apenas saber as novidades de um passeio qualquer. Mas essa é uma viagem que pode ser descrita e escrita fora da ordem porque surpreende e presenteia os sentidos, não importa a ordem que você registre os fatos, a impressão que se tem no final é que no Atacama se vive mais.

A viagem foi incrível como eu tinha planejado. Aliás, se eu não tivesse planejado teria sido incrível do mesmo jeito. Acho que pela novidade e por se tratar da maior loucura que já fiz na vida. Não relaxei, não descansei, não dormi bem e sangrei todos os dias. Estive perto da curva que separa a vida da morte. Olhei com olhos secos, pele esturricada e cabelos aramados o extremo de um planeta surpreendente. Estive abaixo de zero às 7h da manha e 32 graus depois, ainda eram 15h (leia como quiser). Comi lhama, fava chilena com gosto de terra molhada. Usei 500 ml de hidratante em 4 dias, talvez usasse a mesma quantidade em 5 anos se fosse um hábito. Usei soro nasal e bebi água como se por vício.  

Fotografei sem parar algumas vezes, em outras, eu não conseguia parar de olhar o céu mais limpo do mundo. Vi estrelas como se fosse poeira, uma massa branca que parecia que os olhos estavam embaçados, granulados de areia brilhante. Vi círculos perfeitos de estrelas médias, chuva de estrelas cadentes, uma para cada amigo vivo ou morto, 7 para cada irmã ou todas para um grande amor. Mergulhei em fossas de água gelada e salobra no meio do nada. Caminhei sobre montanhas jovens, as mais jovens do mundo e que eu não sabia que começavam no extremo sul e só paravam no extremo norte, e que de lá, até lá mais longe, ganhavam nomes diferentes e riam das culturas que as separavam inutilmente.

Fui o primeiro homem que conheci com estalactites no Nariz da coriza congelada e rachadura nos pés da escassa umidade. Fui o primeiro homem que conheci a dormir em lençol com cheiro de chão queimado e uma camada de sal sobre a pele. Fui o único homem que conheci que viu a lua nova se por, como um anel de prata, junto do sol . Conheci gente do mundo todo disposta a sofrer pelo conhecimento. Ouvi sotaques do espanhol que variavam do sul ao norte das Américas, da África ao leste da Europa, da Ásia maior, menor e Oceania. Cabeças vermelhas, negras, índias, a minha, todas sob o sol do deserto de um Atacama que sofre um impacto ecológico que emudece um guia de 24 anos apaixonado por aquele chão. Pedidos de não encoste, não pise, não urine, não volte nunca mais, "esse pedacinho de pedra que você destruiu em 1 segundo, a natureza levou 1 milhão de anos para esculpir". “46% do Lítio do planeta são extraídos logo ali na frente, naquelas faixas brancas de sal no horizonte”. Lítio, para salvar da loucura, para fazer o celular funcionar e conjugar o verbo modernizar.    

Escassez de sombra, de sexo, de vida com mais de 1 milímetro no chão. Flamingos da cor da terra, lhamas de cor de nuvem, um par de Lebres andinas que são como ratos fofinhos e gaivotas do pacífico a quilômetros de distância dele. Bactérias que resistem de -40º a +90º Celsius e ainda são rosadas e lindas como as saldáveis peles dos franceses que pisavam nelas. Jorros de água fervente que brotam da terra profunda de 13.000 metros sob pés doloridos de frio. Uma força que perfura rochas e sopra um vapor mal cheiroso do fundo da terra. 

Terra de cães gigantes e gente pequena. Terra de grandes distâncias percorridas por peregrinos de bicicletas, a pé ou de carro. Pilhas lacrimosas de pedras que substituem nossas velas para iluminar os caminhos no além. Lugar de espíritos que não encontram a salvação porque não foram dignos de ascender ao Licancabur, o vulcão-deus, chileno-boliviano, que só aceita o homem que morre em batalha ou de velhice.

Tocar as rochas e sentir montanhas inteiras de cristal de sal estalar como numa orquestra desordenada, tão frágil a 10cm dos olhos, tão forte a 50 passos e gigantesca vista da janela do ônibus.

O Atacama é muito mais que um deserto, é uma entidade com força vital e consciência de existência. É uma criança que sonha em ter tudo ao mesmo tempo mesmo que uma coisa não caiba dentro da outra. Pode ser um sonho, um pesadelo, uma gota de magia pra quem tem olhos e ouvidos de aprender, mas muito mais que isso, o Atacama é uma prova de que o absurdo faz parte da nossa vida e do nosso mundo.  

O deserto mais alto do mundo; O céu mais claro do mundo; A maior concentração de sal fora dos oceanos em todo mundo; A maior cordilheira de sal do planeta. A quantidade de superlativos que o Atacama coleciona faz ferver de turistas a pequena cidade de 8 quarteirões e menos de 3 mil habitantes no norte do Chile. É tão surpreendente que quando chegamos nos perguntamos o que fomos fazer naquela secura, mas quando deixamos a cidade para trás entendemos que para toda busca existe uma resposta ou simplesmente um pensamento poético que justifique a aventura de viver. De resto, é ser feliz.

Até a próxima.
L.P.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Um guarda-roupas e um coração.

Pelo menos uma vez por ano todos nós deveriamos abrir as portas dos nossos armários, gavetas e sapateiras, tirar tudo de dentro e separar as coisas que servem e as que não servem mais. Separar as que podem servir a alguém e doá-las. Rebaixar as roupas que não merecem mais os cabides e dar a elas um novo lugar menos privilegiado nas gavetas entre as surradas peças do dia a dia. Pegar os pares de tênis descolados, velhos e super confortáveis e ajeitá-los para prolongar o uso por mais alguns meses até que possamos comprar outro par que mereça a substituição. Dar sem pena sapatos novos e duros que só foram usados uma única vez por um tempo menor que o que foi gasto para fabricá-los. Quantos as roupas de frio, algumas envelheceram sem uso, caríssimas e etiquetadas, mas sem uso. Algumas calças que ficaram ótimas sob a luz das lojas e nunca mais viram a luz do dia porque um quilo a mais não permitiu que saissem do cabide. Gravatas que foram usadas uma vez nos últimos dois anos e mofaram esperando o próximo nó dividem espaço com aquelas que de tão usadas e esgarçadas não servem nem para amarrar o cachorro na área de serviço.
A vida é assim, uma sucessão de substituições, trocas e armazenagens inúteis. Coisas que não precisamos e acumulamos e que nos tomam tempo, dinheiro e nos confundem com seus valores também inúteis. Assim como essas roupas que rebaixamos e que perdem a importância a cada uso, também são algumas pessoas que estão em nossas vidas sem precisar. Você pode achar estranha a analogia, mas este fato merece nossa atenção.

Depois de uma cirurgia que me tirou do circuito na semana passada eu precisei ficar em casa de repouso absoluto, mas a agitação e a dor do pós-operatório me fizeram perambular de um lado para o outro contando os segundos até os analgésicos fazerem efeito já esperando a hora da próxima dose. Um inferno. Folheei revistas, zapeei nos canais da tevê e revirei o Youtube atrás de algo que pudesse me tomar a atenção antes dedicada àquela dor insuportável. Depois de algumas tentativas e muita frustração a dor cedeu um pouco, mas não desapareceu por completo. Sem ter muito a fazer abri as portas do meu guarda-roupas e comecei a revirar e tirar tudo o que ocupava lugar inutilmente e a tempos eu não usava, como roupas, sapatos, bolsas, caixas, lembrança daqui e de toda parte do mundo. Todo tipo de quinquilharia, até presentes que eu comprei e que não cumpriram seu destino, dançaram. Tudo para não curtir a dor.

Cada peça me lembrou de uma ocasião e de alguém, então comecei a descartá-las como se fossem histórias e pessoas que perderam o sentido pra mim. Não me refiro só a desafetos porque não dou a oportunidade deles se constituirem, mas como aquelas roupas, algumas pessoas não serviam mais para mim, se ajustariam a necessidade de uma outra pessoa, mas não me serviriam mais. Pessoas que um dia foram importantes, mas que vacilaram e seguiram por outros caminhos são como aquelas camisas que saíram do cabide direto para a doação. Outras envelheceram do meu lado e passaram do cabide para a primeira gaveta, e depois para a gaveta das roupas de dormir, as mais macias e cheirosas, mesmo velhas e surradas. Achei algumas que entraram na minha vida por que eram bonitas e baratas, mas se revelaram desconfortáveis e foram esquecidas. Estas também foram descartadas.

Pra que acumular pessoas sem necessidade como fazemos com as roupas?
Porque ter gente ao nosso lado que não combina com a nossa cara e nosso jeito de ser?
A soma das partes daqueles que nos cercam deve contribuir para a construção do "Nosso Monstro Perfeito", aquele "Frankenstein" maravilhoso que é fruto da soma dos defeitos e das qualidades de todos aqueles que nos estimulam e nos ajudam a crescer e amadurecer. Mesmo divididos por núcleos, quando pensamos nessas pessoas, nesses amigos, a imagem do TODO deve ser montruosa com pedacinhos que se encaixam perfeitamente independente do seu formato e da sua cor, como na mitologia grega.

Sem ilusão, atualmente vivemos em uma sociedade de "pessoas-acessórios" que trocamos de acordo com o evento, a viagem, o sentimento e a fase, isso custa caro ao bolso e ao coração. Se pessoas e sentimentos não são descartáveis então devemos ter cuidado com quem deixamos entrar e também onde entramos, porque nosso coração é igual a um guarda-roupas, cabe muita coisa, mas de vez em quando precisamos limpá-lo e separar aquilo que não serve mais para evitar confusão. Ele é seletivo por natureza.
Conhecer gente é lobby, demanda técnica e cabe em uma agenda. Ter amigos é outra coisa bem diferente e demanda muito tempo e dedicação.

Mesmo que as palavras deste texto estejam um pouco difusas acho que a idéia está clara e o guarda-roupas organizado.


L.P.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Porque o Voto Distrital é tão importante.

Pessoal, atualmente um grupo de empresários, intelectuais e estudantes universitários em São Paulo estão fazendo uma força absurda para chamar a atenção das vantagens do VOTO DISTRITAL e tomá-lo como padrão nas eleições no Brasil. Seria uma maneira de evitar que os votos para um candidato seja utilizado para eleger outros de carona e, melhor ainda, evitar que políticos sujos e corruptos falem por nós. O VOTO DISTRITAL aproxima o eleitor do seu representante no Congresso, melhora a fiscalização sobre os deputados e diminui a corrupção. Qualquer opção de uma outra matriz de ideia é melhor do que a que vivemos hoje. Funciona mais ou menos assim, o Brasil seria dividido em 513 distritos, o mesmo número de cadeiras no Parlamento, e cada distrito elegeria seu representante. É quase impossível que um canalha, mal caráter e ladrão seja eleito no distrito no qual se candidatou.

Se você acha que o que você leu acima é suficiente para votar a favor do Voto Distrital, acesse http://www.euvotodistrital.org.br/, para assinar a petição que será enviada aos parlamentares em Brasília, propondo a mudança.

COMO FUNCIONA.
O voto distrital pode ser realizado por diversos sistemas de votação; os mais comuns são por maioria simples (caso dos EUA e Reino Unido) e por maioria absoluta (caso da França), no qual a votação pode ser feita em dois turnos.

Quando o voto distrital ocorre lado a lado com outro sistema eleitoral, é denominado Voto Distrital Misto. No entanto, nos sistemas nos quais o voto distrital prevalece sobre o voto partidário (como ocorre no Japão), ele é conhecido como sistema majoritário misto. Nos sistemas nos quais o voto partidário é mais importante, vigoram sistemas de representação proporcional mista, que não devem ser caracterizados como sistemas "distritais" ou majoritários, mas sim como sistemas proporcionais de voto. Um exemplo de representação proporcional mista é o sistema criado na Alemanha, logo depois da II Guerra Mundial. No sistema alemão, o eleitor tem dois votos: um para o candidato de seu distrito e o outro para uma lista de representantes de um partido político (lista fechada). Após a eleição dos representantes distritais, são empossados mais outros candidatos, retirados da lista partidária, até que cada partido tenha representação global proporcional à fração dos votos que obteve com as listas partidárias. No processo, o número total de parlamentares varia a cada eleição. Dessa forma, um partido que não teve candidato vencedor em nenhum distrito, mas que recebeu 20% dos votos em lista partidária, ainda assim comporá 20% do parlamento; como não elegeu nenhum representante distrital, preencherá sua cota com os candidatos da lista. Esse método impede situações como a ocorrida numa eleição provincial do Canadá, na qual o Partido Conservador recebeu 40% dos votos totais, mas não conseguiu maioria em nenhum distrito individual; nessa conjuntura, o partido elegeu zero representante.

No sistema majoritário misto (também conhecido como sistema paralelo de voto), pelo contrário, os votos distritais e os votos por lista de partidos são independentes. Esse mecanismo eleitoral faz com que a desproporção do sistema distrital seja amenizada, mas continua desfavorecendo os partidos menores.

Ao contrário do que se possa pensar, a eleição de candidatos individualmente (isto é, por candidato e não por partido) não é uma característica exclusiva do sistema distrital de voto nem depende dele, e é plenamente coerente com os sistemas proporcionais de voto. O voto único transferível, por exemplo, permite que os eleitores escolham seus candidatos individualmente, em ordem de prioridade, sem depender das listas de partido.

Mais uma coisa amigos, todos os países que usam este tipo de pleito, se não venceu a corrupção, reduziu seus efeitos e índices pequenos o suficiente para não causar danos a pátria e aos cidadãos.

Preste atenção Brasil.

L.P.

Fontes:
Revistas Isto é, Veja, Jornal O Globo e Wikipédia.